Os índices futuros de Wall Street amanhecem sem um rumo definido nesta sexta-feira (19), depois de interromperem uma sequência recente de quedas. O movimento reflete sinais de desaceleração da inflação norte-americana e uma redução das tensões em torno do setor de inteligência artificial, que vinha pressionando os mercados.
O viés mais positivo ganhou força após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de novembro nos Estados Unidos. O indicador mostrou inflação anual de 2,7%, abaixo do esperado pelo mercado, reforçando a percepção de que o Federal Reserve pode iniciar um ciclo de cortes de juros a partir de 2026. Apesar disso, parte dos economistas alerta que o método utilizado — no primeiro relatório do CPI após a paralisação do governo no outono — pode resultar em uma reaceleração inflacionária já em dezembro.
Estados Unidos
O setor de tecnologia também teve papel relevante na recuperação das bolsas americanas. Ações de grandes empresas do segmento e de fabricantes de semicondutores avançaram após a Micron Technology divulgar projeções robustas de receita para o trimestre atual. Segundo a companhia, a demanda segue significativamente superior à oferta no curto prazo, o que ajudou a reduzir as incertezas recentes relacionadas ao mercado de inteligência artificial.
Com isso, todas as ações do grupo conhecido como Magnificent Seven encerraram o pregão em alta. Ainda assim, no acumulado da semana, os principais índices seguem no negativo: o S&P 500 recua cerca de 0,8%, o Dow Jones cai aproximadamente 1% e o Nasdaq acumula perda de 0,8%.
Mercados futuros nos EUA:
Dow Jones Futuro: -0,07%
S&P 500 Futuro: +0,19%
Nasdaq Futuro: +0,37%
Brasil
Depois de duas sessões de perdas expressivas, o Ibovespa teve um desempenho mais moderado nesta sessão e encerrou esta quinta (18) em alta de 0,38%, aos 157.923,34 pontos, com avanço de 596,80 pontos. O pregão foi marcado por oscilações ao longo do dia, mas sem grandes surpresas para os investidores.
No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu de forma praticamente estável, com alta de 0,01%, cotado a R$ 5,523. Foi o quarto avanço consecutivo da moeda norte-americana na semana. Já os juros futuros encerraram o dia em elevação em toda a curva, refletindo o aumento das incertezas.
Ásia-Pacífico
Na Ásia-Pacífico, os mercados encerraram a semana majoritariamente em alta. O destaque ficou para o Japão, onde as ações subiram após o Banco do Japão elevar a taxa básica de juros para o maior nível em décadas. A autoridade monetária aumentou os juros em 25 pontos-base, para 0,75%, patamar mais alto desde 1995, em linha com as expectativas do mercado.
Desempenho dos índices asiáticos:
Shanghai SE (China): +0,36%
Nikkei (Japão): +1,03%
Hang Seng (Hong Kong): +0,75%
Nifty 50 (Índia): +0,63%
ASX 200 (Austrália): +0,39%
Europa
Os mercados europeus apresentam desempenho misto nesta sexta-feira, enquanto investidores digerem uma série de decisões recentes de política monetária e acompanham de perto as negociações orçamentárias na França.
Na véspera, diversos bancos centrais da região anunciaram suas decisões. Banco da Inglaterra, Banco Central Europeu, Norges Bank e Riksbank se pronunciaram. A exceção foi o banco central britânico, que reduziu a taxa de juros em 25 pontos-base, enquanto os demais optaram por manter suas taxas inalteradas.
O Banco Central Europeu também revisou para cima suas projeções de crescimento econômico, estimando agora expansão de até 1,4% para a zona do euro em 2025 e de 1,2% em 2026, sinalizando um cenário um pouco mais favorável para a atividade.
STOXX 600: +0,07%
DAX (Alemanha): +0,08%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,10%
CAC 40 (França): +0,12%
FTSE MIB (Itália): +0,22%
Petróleo
No mercado de commodities, os preços do petróleo operam em baixa e caminham para a segunda semana consecutiva de perdas. As preocupações com um possível excesso de oferta global têm superado os riscos de interrupções no fornecimento.
Petróleo WTI: -0,55%, a US$ 55,84 o barril
Petróleo Brent: -0,05%, a US$ 59,79 o barril
Agenda
A sexta-feira (19) concentra atenções no cenário político e econômico, com destaque para a votação do Orçamento de 2026. A sessão está marcada para o Plenário da Câmara dos Deputados, com início previsto para as 12h. Antes disso, às 8h, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o índice de Confiança do Consumidor referente a dezembro. Logo em seguida, às 8h30, o Banco Central publica os dados de transações correntes de novembro. A expectativa do mercado, segundo estimativas da Reuters, é de um déficit de US$ 4,95 bilhões.




