Mercados globais reagem à rotação setorial e tensão sobre ações de IA


Os mercados globais iniciam a sexta-feira (12) com sinal misto nos índices futuros dos EUA, em meio à continuidade da rotação de investidores de gigantes de tecnologia para ações de valor e setores cíclicos — movimento que levou S&P 500 e Dow Jones a novos recordes. A pressão sobre o setor de IA (inteligência artificial) voltou a ganhar tração após a queda da Oracle, que reacendeu dúvidas sobre a robustez da tese de crescimento, afetando também Google e Nvidia.

A cautela persiste depois de a Broadcom decepcionar com suas projeções de vendas, apesar de resultados trimestrais fortes e da promessa de duplicar a receita com chips de IA. A queda de cerca de 4% no pré-mercado reflete a leitura de que o setor pode enfrentar um ajuste de expectativas.

No Brasil, o foco recai sobre os dados de serviços de outubro e a divulgação do Prisma Fiscal, que reúne estimativas para as contas públicas — analistas projetam alta de 0,2% na margem. No campo político, o presidente Lula e seu vice, Geraldo Alckmin, participam hoje do lançamento do SBT News, enquanto o vice também marca presença em evento empresarial em São Paulo.

Nos EUA, sem indicadores relevantes, falas de dirigentes do Federal Reserve, o banco central estadunidense, devem orientar o humor dos investidores após o tom menos agressivo do banco central na véspera.

O Nasdaq segue pressionado, enquanto S&P 500 e Dow Jones renovaram máximas apoiados pela migração para setores tradicionais.

Brasil

O Ibovespa oscilou ao longo do pregão de quinta-feira (11), mas firmou alta na reta final acompanhando os índices de Wall Street, que renovaram máximas históricas após o corte de juros nos Estados Unidos. O índice brasileiro subiu 0,07%, aos 159.189 pontos. O dólar à vista recuou 1,17%, para R$ 5,4044.

No ambiente doméstico, a política seguiu no foco dos investidores. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a afirmar que só abriria mão da pré-candidatura à Presidência caso seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — preso em Brasília e inelegível — retornasse à disputa. “Ou seja, não há preço”, disse em entrevista a um podcast.

Entre as ações do Ibovespa, a Vale liderou o giro e subiu quase 2%, impulsionada pela entrada de capital estrangeiro, apesar da fraqueza do minério. Os papéis fecharam perto de R$ 72, maior valor desde fevereiro de 2023.

Europa

Os mercados europeus avançam nesta sexta-feira, impulsionados pelo otimismo vindo de Wall Street, enquanto investidores monitoram a escalada entre Ucrânia e Rússia após o alerta do secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte, de que a Europa deve se preparar para um cenário de guerra. A tensão aumentou depois de o Banco Central russo classificar como ilegal o plano europeu de usar ativos congelados para financiar a Ucrânia. Governos da União Europeia tentam fechar um acordo sobre a proposta ainda hoje, segundo informações preliminares.

STOXX 600: +0,50%
DAX (Alemanha): +0,64%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,44%
CAC 40 (França): +0,69%
FTSE MIB (Itália): +0,76%

Estados Unidos

Os índices futuros dos EUA avançam hoje, enquanto os agentes repercutem a saída do CEO da Lululemon Athletica, Calvin McDonald. Os papéis da empresa avançaram 10%, após a companhia anunciar a saída dele, em meio ao fraco desempenho da empresa no último ano.

Dow Jones Futuro: +0,31%
S&P 500 Futuro: +0,05%
Nasdaq Futuro: -0,15%

Ásia

Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam em alta, acompanhando o rali de Wall Street após novos recordes impulsionados pelo corte de juros do Federal Reserve. A decisão do banco central dos EUA, anunciada na quarta-feira, reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,5% a 3,75%. O movimento reforçou o apetite por risco na região, com investidores avaliando o impacto de uma política monetária mais branda na atividade global.

Shanghai SE (China), +0,41%
Nikkei (Japão): +1,37%
Hang Seng Index (Hong Kong): +1,75%
Nifty 50 (Índia): +0,50%
ASX 200 (Austrália): +1,23%

Petróleo

Os preços do petróleo avançam nesta quinta-feira, recuperando parte das perdas após terem registrado a menor cotação de fechamento em quase dois meses. O movimento é sustentado pelo clima de maior otimismo nos mercados financeiros globais.

Petróleo WTI, +0,63%, a US$ 57,96 o barril
Petróleo Brent, +0,54%, a US$ 61,61 o barril

Agenda

Dia de agenda internacional fraca nesta sexta-feira.

Por aqui, no Brasil, o nível dos juros no Brasil tem elevado a dívida pública e é preciso que haja convergência entre as políticas fiscal e monetária, disse nesta quinta-feira o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, horas após o Banco Central manter postura dura, sem indicar quando cortará a taxa Selic. Em evento sobre o arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados, Durigan disse que a elevação da dívida pública tem menor relação com os resultados primários do governo, ressaltando que o impacto maior vem da política monetária, que aumenta o gasto do governo com pagamento de juros.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg





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