Milhares de colônias de “velejadores-do-vento” surgem em praias da Califórnia, levadas por ventos e mudanças nas correntes marítimas

Milhares de criaturas marinhas de aparência incomum estão chamando a atenção ao surgirem em grande número nas praias da Califórnia, nos Estados Unidos. Os animais, de coloração azul e textura gelatinosa, começaram a se acumular no último domingo (30) em diversas faixas de areia da região da baía de São Francisco, provocando curiosidade entre frequentadores e especialistas.
Esses organismos são conhecidos como “velejadores-do-vento” (nome científico Velella velella) e, apesar de se assemelharem a águas-vivas, estão mais próximos da caravelas-portuguesas (Physalia physalis). Cada indivíduo mede até 10 centímetros e é, na verdade, uma colônia formada por centenas de pequenos organismos que desempenham funções específicas.
Transporte dos animais curiosos ocorre pelo vento e correnteza
- Dotadas de uma vela em forma de “S” que fica na superfície da água, essas criaturas usam o vento para se locomover pelos oceanos, enquanto tentáculos curtos pendem abaixo da superfície para capturar presas.
- Contudo, por dependerem exclusivamente da ação dos ventos e correntes, frequentemente acabam encalhadas nas praias quando há mudanças bruscas no clima.
- Segundo Jennifer Stock, especialista em educação do santuário marinho Greater Farallones, esse fenômeno coincide com o início do período conhecido como “temporada de ressurgência” na costa oeste dos EUA.
- “O verdadeiro começo e fim desse período muda a cada ano, mas a presença dos velejadores indica uma mudança nos ventos e nas correntes”, afirmou à SFGate.
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Fenômeno associado a tempestades e ventos costeiros
O aparecimento em massa dessas criaturas no Hemisfério Norte costuma acontecer na primavera e no começo do verão. Vivendo normalmente em mar aberto, elas são empurradas em direção ao litoral por tempestades e ventos costeiros. Como não conseguem se movimentar por conta própria, ficam presas na areia até serem levadas de volta pela maré ou morrerem.
De acordo com o oceanógrafo Raphael Kudela, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, a situação pode se repetir nos próximos dias. “Se tivermos um sistema de alta pressão, que normalmente traz céu claro e está associado à ressurgência, elas vão se concentrar perto da costa”, explicou ao portal KQED. “Basta uma quebra nesse sistema — como a chegada de uma frente fria — para que uma grande quantidade delas acabe sendo levada para as praias.”
Kudela também destacou o impacto visual do fenômeno: “É meio impressionante de ver. Elas são realmente bonitas”. Apesar disso, especialistas alertam que o contato com os animais deve ser feito com cuidado, já que sua peçonha, embora leve, pode causar irritações, principalmente se houver contato com os olhos ou o rosto.
Fonte: Olhar Digital