O governo federal não planeja reduzir as taxas de juros do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mesmo diante da possibilidade de cortes na taxa básica de juros ao longo deste ano. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (9) pelo ministro das Cidades, Jáder Filho, durante evento realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.
“Não há previsão de baixar mais os juros”, afirmou o ministro, ao comentar a política atual do programa habitacional.
Segundo Jáder Filho, as condições de financiamento do Minha Casa, Minha Vida já estão no nível mais baixo desde a criação do programa, mesmo com a Selic mantida em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.
“Estamos na menor taxa de juros da história do programa. Na Faixa 1 — que inclui famílias com renda de até R$ 2.850 — a taxa é de 4% ao ano no Norte e Nordeste, e de 4,25% nas demais regiões”, explicou.
De acordo com o ministro, os resultados do programa indicam que os juros atuais estão adequados à realidade das famílias atendidas e cumprem o objetivo de ampliar o acesso à moradia.
A expectativa do Ministério das Cidades é assinar 1 milhão de novos contratos do Minha Casa, Minha Vida ainda em 2026 e manter o mesmo ritmo em 2027. Com isso, o governo projeta encerrar o mandato com 3 milhões de financiamentos habitacionais firmados por meio do programa.
Taxa básica de juros elevada segue pressionando o crédito
No campo da política monetária, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no fim de janeiro — o maior nível desde julho de 2006.
Apesar da manutenção, o Copom indicou que pode iniciar um ciclo de flexibilização já na próxima reunião, prevista para março, caso o cenário de inflação mais controlada se confirme.
Enquanto isso, os juros elevados já produzem efeitos claros sobre o mercado de crédito. Em 2025, a taxa média cobrada pelos bancos em operações com pessoas físicas e empresas subiu 6,5 pontos percentuais, encerrando dezembro em 47,2% ao ano — o maior avanço desde 2022.
Com o encarecimento do crédito, o crescimento do volume total de empréstimos desacelerou em relação a 2024, mas ainda assim avançou 10,2% em 2025, alcançando R$ 7,12 trilhões.
Outro impacto foi o aumento da inadimplência. Dados do Banco Central mostram que a taxa média de atrasos no crédito bancário fechou 2025 em 4,1%, acima dos 3% registrados no fim de 2024.




