O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, afirmou, durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), nesta quinta-feira (12), que o aumento da confiança dos brasileiros nas instituições públicas está relacionado ao fortalecimento dos mecanismos de controle, à digitalização de serviços e à postura do governo federal diante de casos de corrupção.
Para exemplificar, ele citou os casos do Banco Master e das fraudes em descontos de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o ministro, esses são exemplos de irregularidades que tiveram origem em anos anteriores, mas que passaram a ser enfrentadas com mais rigor.
No caso do INSS, Carvalho afirmou que denúncias sobre descontos indevidos em benefícios já existiam desde 2019, mas não teriam sido alvo de investigação aprofundada à época.
De acordo com ele, no atual governo a apuração foi concluída em menos de um ano, com atuação conjunta da CGU e da Polícia Federal. Três meses após a deflagração da operação, o governo iniciou o ressarcimento aos aposentados e pensionistas lesados, além de promover bloqueios judiciais de valores por meio da Advocacia-Geral da União (AGU).
“Foi um trabalho coordenado para investigar, responsabilizar e devolver o dinheiro à população”, disse. “O governo não deixa os problemas debaixo do tapete. Dá autonomia à CGU, à Polícia Federal e à Receita Federal para atuarem”, afirmou.
Na avaliação dele, esse trabalho deve ser constante: “Ninguém vai acabar com a corrupção num passe de mágica; é preciso trabalhar constantemente, aprimorando a nossa capacidade de fiscalização, investigação e transparência.”
Banco Master e fiscalização de fundos municipais
Sobre o Banco Master, o ministro explicou que a investigação envolve a Polícia Federal e o Banco Central. À CGU cabe acompanhar eventuais processos disciplinares contra servidores federais e, se houver indícios de irregularidade de pessoas jurídicas, aplicar a Lei Anticorrupção.
Questionado sobre investimentos de fundos previdenciários municipais em instituições financeiras posteriormente liquidadas, Carvalho afirmou que cabe a estados e municípios estabelecer critérios mais rígidos de análise de risco e integridade.
A CGU, segundo ele, pode atuar quando há uso de recursos federais e também oferece modelos e orientações de programas de integridade que podem ser adotados por entes subnacionais.
Dados da OCDE mostram confiança no governo
Segundo o ministro, dados recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam avanço na percepção da população sobre o funcionamento das instituições no país.
De acordo com a pesquisa, realizada a cada três anos em países da América Latina, a confiança no governo federal no Brasil passou de 26% em 2022 para 38% em 2025.
O levantamento ouviu 2 mil pessoas e, segundo o ministro, baseia-se na experiência concreta dos cidadãos com serviços públicos, e não apenas em percepção subjetiva.
Outros indicadores também apresentaram crescimento:
- Satisfação com o sistema de saúde: de 32% para 40%;
- Satisfação com o sistema de educação: de 29,7% para 55%;
- Satisfação com serviços administrativos: de 31,8% para 55%;
- Percepção de tratamento justo na concessão de benefícios: de 19% para 48%;
- Percepção de que servidores recusariam suborno: de 20% para 40%.
Para Carvalho, os números refletem um processo de “reorganização institucional” e de fortalecimento democrático.
Transparência e enfrentamento à corrupção
Ao comentar críticas baseadas em rankings internacionais de percepção da corrupção, como o da Transparência Internacional, o ministro defendeu que a ampliação das investigações pode, paradoxalmente, elevar a sensação de corrupção.
Ele comparou a situação a duas cidades: uma que possui aparelho de ressonância magnética e detecta doenças, e outra que não tem o equipamento e, por isso, não registra casos. “É melhor viver na cidade que identifica o problema e trata, ou na que finge que ele não existe?”, questionou.
Inteligência artificial contra fraudes
O ministro destacou o uso de tecnologia como uma das principais ferramentas de prevenção. A CGU desenvolveu um sistema de inteligência artificial chamado Alice (Análise de Licitações e Contratos), que identifica riscos em editais e contratos públicos.
Em 2024, segundo Carvalho, foram realizadas mais de 600 auditorias, sendo 388 com apoio do sistema. Nos três primeiros anos do atual governo, a CGU teria evitado mais de R$ 3 bilhões em gastos considerados irregulares em licitações públicas.
Além disso, operações conjuntas com a Polícia Federal identificaram, no ano passado, R$ 13 bilhões em prejuízos potenciais aos cofres públicos — valor recorde, de acordo com o ministro.
Emendas parlamentares e novas regras
Carvalho também comentou a fiscalização sobre emendas parlamentares. Ele afirmou que, após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), a CGU passou a ter maior responsabilidade na fiscalização de recursos federais repassados a estados e municípios, inclusive no caso das chamadas emendas Pix.
Segundo o ministro, o Portal da Transparência foi aprimorado e agora permite acompanhar a destinação e a execução de recursos por município e por parlamentar. Ele também citou a inclusão de QR Codes em placas de obras públicas, para facilitar o acompanhamento por cidadãos e jornalistas.
Sigilo de 100 anos reduzido
O ministro afirmou ainda que o governo reduziu o uso do chamado “sigilo de 100 anos”, previsto na Lei de Acesso à Informação para dados pessoais. Segundo ele, a regra padrão passou a ser de 15 anos quando o prazo não é explicitamente justificado.
De acordo com Carvalho, os casos enquadrados como sigilo de 100 anos hoje representam cerca de 0,06% do total de pedidos.




