A comunidade Bahai denuncia a repressão do governo iraniano, em meio aos protestos que ganharam força nas últimas semanas em Teerã. Num alerta lançado em Genebra, representantes do grupo na ONU alertaram sobre uma onda de prisões e uma campanha de falsas acusações contra a comunidade na tentativa de usar a minoria religiosa como bode expiatório.
O alerta é a da Bahai International Community (BIC), entidade que serve como representação do grupo, também com importante presença no Brasil.
Segundo eles, a comunidade está sendo usada como “bode expiatório num momento de crise nacional, em consonância com o seu padrão de longa data, tanto nos meios de comunicação estatais como através de uma perseguição cada vez mais intensa”.
De acordo com a denúncia, durante todos os períodos de crise nacional desde a Revolução Islâmica de 1979, as autoridades iranianas têm “consistentemente e sistematicamente usado os bahá’ís como bode expiatório através de falsas alegações e campanhas coordenadas de desinformação e ódio”. “Desta vez não foi diferente”, alertam.
Na última semana, teriam sido transmitidos programas no Canal 2 da televisão estatal, “difundindo falsas acusações contra a comunidade Bahai, incluindo confissões claramente forçadas de bahais, obtidas sob coação”. “Isto foi acompanhado por relatos de um aumento das prisões e detenções de bahais em todo o país”, aponta.
“Esta é mais uma tentativa do governo iraniano de falsificar a verdade e apresentar mentiras ao seu próprio público. Mas essa tentativa é frágil e sua falta de fundamento é comprovada. Durante todos os períodos de crise nacional, sejam sociais, econômicas ou políticas, as autoridades iranianas, de forma consistente e sistemática, usaram os bahai como bode expiatório”, disse Simin Fahandej, representante da BIC nas Nações Unidas em Genebra.
“A comunidade bahai está frequentemente entre as primeiras a ser acusada de falsas alegações, usada como bode expiatório e alvo de campanhas coordenadas de desinformação e ódio. Este é um padrão recorrente e estamos vendo isso novamente”, afirmou.
Durante a recente Sessão Especial da ONU sobre o Irã no Conselho de Direitos Humanos em Genebra, na semana passada, o grupo observou que, além da experiência de perseguição sofrida pela comunidade ao longo de décadas, muitas outras pessoas no Irã agora enfrentam injustiças.
“Todos os iranianos, de todas as religiões, etnias e origens, merecem desempenhar um papel decisivo na construção de seu país. Este é um direito humano inerente que não pode ser retirado por nenhum governo”, afirmou Fahandej.
O grupo fez ainda um apelo para que a comunidade internacional “condene inequivocamente a perseguição”.
Brasil condena repressão, mas se abstém em votação
Naquele momento, uma resolução foi aprovada. O governo Lula, num discurso, condenou pela primeira vez o governo iraniano pela repressão. Mas optou por se abster na resolução, alegando que ela não estava equilibrada. O governo também se posicionou contra qualquer intervenção militar dos EUA.
Antes da votação, o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Turk, também denunciou o governo de Teerã e pediu que minorias religiosas façam parte de um diálogo para que a crise seja superada.
“A transmissão pela mídia estatal de quase 100 confissões forçadas de detidos, e a falta de transparência em torno dos procedimentos, levantam sérias preocupações sobre o direito ao devido processo legal e a um julgamento justo”, alertou Turk.
Para ele, “a única saída para essa escalada alarmante é o diálogo baseado nos direitos humanos de todos os iranianos”. “As aspirações e ideias, em particular, de mulheres, meninas, jovens e minorias étnicas e religiosas devem ter voz ativa para moldar o futuro do Irã”, completou.




