O Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master, de Daniel Vorcaro, liquidado extrajudicialmente pelo BC em novembro. A informação é da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Segundo a jornalista, foram feitos ao menos três contatos por telefone e, pelo menos uma vez, Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro. Moraes fez ligações para saber do andamento da operação de venda para o Banco de Brasília (BRB) e, em julho deste ano, pediu que o presidente do BC fosse ao seu encontro.
Moraes teria dito, em uma das conversas, que gostava de Vorcaro e afirmou que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos. Esse argumento era frequentemente utilizado por Daniel Vorcaro. O ministro teria pedido, ainda, que o BC aprovasse o negócio com o BRB, que tinha sido anunciado em março, mas estava, à época, pendente de autorização da autarquia, o que não ocorreu.
Na conversa, segundo as informações do jornal O Globo, Gabriel Galípolo teria informado a Moraes que os técnicos do BC tinham descoberto as fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB. O ministro teria, então, reconhecido que, se a fraude ficasse comprovada, o negócio não teria como ser aprovado.

Em 18 de novembro, a Polícia Federal prendeu Vorcaro e outros seis executivos acusados de envolvimento com as fraudes. O BC, no mesmo dia, decretou a liquidação extrajudicial do Master. O Master foi alvo da Operação Compliance Zero, que combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Escritória da esposa de Moraes mantinha contrato milionário com Banco Master
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, mantinha um contrato com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, que previa o pagamento de R$ 129 milhões ao longo de três anos.
O contrato da esposa de Moraes com o banco determinava a prestação de serviços de consultoria e assessoria jurídica ao banco, com remuneração mensal prevista de R$ 3,6 milhões a partir do início de 2024. O documento foi localizado pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Compliance Zero. As informações foram reveladas pelo jornal O Globo.
O documento foi encontrado no celular de Vorcaro, com detalhes sobre a remuneração e o escopo dos serviços. O contrato determinava que o escritório deveria representar o banco “onde for necessário”, sempre que acionado. Caso tivesse sido integralmente executado, o acordo renderia R$ 129 milhões ao escritório, montante que não será pago devido à liquidação extrajudicial do banco.
Na última quarta-feira (17), duas semanas depois de decidir que a competência para investigar o Master é do Supremo e decretar sigilo total no caso, o ministro Dias Toffoli, do STF, deu à PF 30 dias para fazer as oitivas, sempre sob o acompanhamento dos juízes auxiliares de seu gabinete. Os depoimentos ainda não foram marcados.
Na quinta-feira (18), em entrevista coletiva na sede do Banco Central, Gabriel Galípolo afirmou que ele “em especial” está à disposição do Supremo para prestar todos os esclarecimentos sobre a investigação da autarquia sobre a fraude nos créditos repassados ao BRB. “Eu em especial, como presidente do Banco Central, estou à disposição pra ir lá prestar todo tipo de suporte e apoio ao processo de investigação”, disse Galípolo.
“Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado”.
Na sexta-feira (19), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus determinou que o Banco Central (BC) envie esclarecimentos sobre o processo de liquidação do Banco Master. A instituição tem até a terça (23) para remeter os documentos ao TCU.




