O Ministério Público do Paraguai informou, nesta quinta-feira 3, a abertura de uma investigação sobre uma suposta ação hacker realizada pela Agência Brasileira de Inteligência contra autoridades e agências de Assunção.
Na terça-feira 1º, o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes, foi chamado a prestar explicações sobre a suspeita, revelada pelo site UOL. Segundo a reportagem, um funcionário da Abin disse à Polícia Federal que a atual gestão da agência teria mantido ações hackers direcionadas a sistemas do governo paraguaio.
O objetivo, segundo ele, seria obter informações que ajudassem a destravar as negociações de tarifas da usina hidrelétrica de Itaipu, objeto de disputa comercial entre os dois países. O depoimento consta da investigação sobre uma suposta estrutura paralela na Abin criada sob o governo de Jair Bolsonaro (PL) para espionar adversários políticos.
De acordo com o MP do Paraguai, os fatos analisados de forma preliminar podem constituir crimes como acesso indevido a dados, acesso indevido a sistemas informáticos e interceptação de dados, previstos na legislação penal local.
“O Ministério Público reafirma seu compromisso com a proteção da soberania nacional e dos direitos fundamentais contra qualquer forma de interferência indevida e dará continuidade às investigações na forma da lei”, completou o órgão.
Após a revelação do caso, o Itamaraty confirmou a existência da operação de espionagem, mas atribuiu a ação ao governo Bolsonaro e disse que a gestão da Abin suspendeu a operação ao tomar conhecimento dela, em março de 2023. O governo do Paraguai, por sua vez, pediu explicações ao Brasil e suspendeu as negociações relacionadas a Itaipu até o esclarecimento do episódio.
Por: Carta Capital