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Mundo fica sem controle nuclear entre potências pela 1ª vez em meio século


O mundo acordou mais perigoso nesta quinta-feira, dia 5 de fevereiro de 2026. Expirou à meia noite o último acordo de controle de armas nucleares entre os dois grandes detentores de ogivas, os EUA e a Rússia.

O acordo Novo Start, desenhado a partir de diferentes experiências e pactos desde 1968, havia sido costurado em 2010 entre Moscou e Washington. Em 2021, ele foi extendido por mais cinco anos. Mas, agora, chegou a seu final.

Trata-se do fim de quase seis décadas de controle de armas, justamente num momento de colapso da ordem global.

O tratado limitou os arsenais de armas nucleares estratégicas implantados pelos EUA e pela Rússia, aquelas que têm “alcance intercontinental”, ou seja, que podem ser lançadas da Europa e detonadas nos Estados Unidos e vice-versa.

Pelo acordo, ficou estabelecido um limite aos EUAe a Rússia a 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas em 700 sistemas de lançamento nuclear implantados (aviões, mísseis balísticos intercontinentais e mísseis lançados por submarinos). Também ficou estabelecido um teto de 800 lançadores nucleares implantados e não implantados desses mísseis e aviões que podem lançar armas nucleares.

O tratado, acima de tudo, exigia inspeções regulares e troca de dados semestral entre os dois países.

Em setembro do ano passado, Moscou chegou a sugerir que o tratado fosse extendido por um ano, dando tempo para que os governos negociassem um pacto maior. Uma proposta foi colocada sobre a mesa. Mas a Casa Branca jamais respondeu.

Em janeiro deste ano, Trump passou a pedir o envolvimento da China num novo pacto. Pequim, hoje, é o país que mais investe em novas ogivas, ainda que seu arsenal seja apenas uma fração do que russos e americanos possuem.

A morte do tratado, de fato, foi precedida por diversas crises. Com a guerra na Ucrânia, a Casa Branca acusou o Kremlin de descumprir. Em 2023, foi a vez do presidente russo, Vladimir Putin, declarar que a Rússia suspenderia o cumprimento do tratado, rejeitando inspeções e troca de dados com os EUA.

Para diplomatas, sem um acordo de controle, o risco é de que a tentação ao uso de armas nucleares ou suas ameaças aumentem. Especialistas também temem uma nova corrida armamentista nuclear e, no atual cenário de extrema insegurança internacional, a falta de um acordo amplia a tensão e a desconfiança entre as potências.

Ainda está em vigor o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, dos anos 60. Mas o Start era o último que determinava com detalhes o controle de ogivas.

Todos os demais acertos que existiam ao longo de décadas também foram desmontados ou abandonados, incluindo tratados que limitavam sistemas de defesa antimíssil, forças de alcance intermediário e direitos mútuos de sobrevoo.

“Este é um novo momento, uma nova realidade”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov. Dmitry Medvedev, que assinou o Novo START quando era presidente da Rússia, disse que a expiração do tratado deveria “alarmar a todos”. O colapso também foi lamentado por Barack Obama. Nas redes sociais ele disse que o vencimento do tratado “eliminaria décadas de diplomacia sem sentido e poderia desencadear outra corrida armamentista que tornaria o mundo menos seguro”.

Sem controles e sob alta tensão, a realidade geopolítica hoje desmonta a tese usada por anos de que bombas nucleares eram necessárias como arma de dissuasão e que, portanto, o mundo ficava mais estável com sua existência.

Hoje, o suposto efeito estabilizador não passa de uma ilusão.





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Amazonas Repórter

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