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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Nasceu um menino, a salvação de um povo.


“Os brancos dormem muito, mas só conseguem sonhar com eles mesmos”

Davi Kopenawa, em “A queda do céu”.

 

Poderia ser uma fábula ou um filme hollywoodiano não estivéssemos na realidade brutal dos ecos da colonização brasileira. O sonho egocêntrico ocidental reduziu a três pessoas o povo indígena Akuntsú, de Rondônia, praticamente dizimado por conflitos de terras. Esta era a triste realidade até o último dia 8, quando um bebê saudável chegou para concretizar as palavras de outro indígena, Ailton Krenak: “O futuro não está à venda”. Em dezembro de 2025 nasceu o primeiro Akuntsú em 30 anos.

O filho de Babawru Akuntsú, de aproximadamente 42 anos, com um indígena do povo Kanoé aconteceu porque, apesar de pertencem a povos diferentes, os dois grupos indígenas são os únicos que mantêm contato diário entre si.

Os Akuntsú são dos menores povos indígenas do Brasil porque sofreu sucessivos massacres e expulsões durante o avanço agropecuário na região. Vestígios encontrados pela Funai indicam que, nos anos 1980, uma aldeia com cerca de 30 pessoas foi destruída. Em 1995, no primeiro contato oficial, restavam apenas sete indígenas. Em 2009, o grupo passou a contar com cinco pessoas, mas com as mortes de Kunibu e Popak restaram apenas três mulheres: Pugapia, Aiga e Babawru.

O contato oficial com representantes do país ocorreu após décadas de negação da presença indígena por fazendeiros e enfrentamentos com invasores. Apesar de localizados e monitorados pelas autoridades, os Akuntsú mantiveram o uso exclusivo de sua própria língua e preservaram práticas culturais tradicionais, como a produção de cerâmica, adornos corporais, instrumentos musicais e formas próprias de organização social.

O emocionante nascimento trouxe esperança de renovação às sobreviventes que vivem atualmente na Terra do Rio Omerê, localizada entre os municípios de Chupinguaia (RO) e Corumbiara (RO).

Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), a área é formada por floresta de terra firme e fazia parte de uma fazenda particular, sendo interditada pela Funai no fim dos anos 1980.

No trabalho rotineiro de garimpar as notícias menos cotadas da mídia hegemônica, encontrei o bebê Akuntsú. Quietinho no topo do país, na região norte onde temos também uma cidade chamada Belém, ele é nosso conto natalino, nossa fábula contemporânea de esperança e vida, o nosso Menino-Deus que não recebeu ouro, incenso ou mirra, mas uma chance de perpetuar seus ancestrais.

Ele traz consigo uma oportunidade para que repensemos os rumos da Terra e, assim, evitemos “a queda do céu”.  Lá Em Rondônia, no alto da nação-árvore chamada Brasil, surge uma pequena estrela, uma “ideia para adiar o fim do mundo”.

Paz na Terra aos homens e mulheres de boa vontade.

Feliz Natal.

 





ICL – Notícias

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