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Nordeste tem crescimento de 152% da população indígena, aponta boletim



Mulher indígena carrega criança no colo (Composição: Lucas Oliveira/Cenarium)

19 de abril de 2025

Ana Pastana – Da Cenarium

MANAUS (AM) – A população indígena na Região Nordeste do País aumentou 152,6% em 12 anos. É o que apontam dados do boletim temático da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), divulgado na quarta-feira, 16, com base no Censo de 2022. O número considera os levantamentos de 2010 e 2022, quando a população indígena do Nordeste era de 209,4 mil e 529,1 mil, respectivamente.

De acordo com os números, quase 530 mil indígenas foram registrados na região no levantamento censitário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022. A região é a segunda maior do Brasil em concentração de povos originários, com 31,2% dos registros. Se, de 2010 a 2022, o número mais que dobrou no Nordeste, o registro nacional teve um aumento de 89% no mesmo período, atingindo cerca de 1,7 milhão de pessoas indígenas no País.

O boletim, que analisa os perfis e a evolução da população indígena, apontou que, na Região Nordeste, os Estados da Bahia e Pernambuco são os que mais concentram populações indígenas, com cerca de 60% desse total.

Os dados revelam ainda que cerca de 90% da população indígena no Nordeste vive fora de terras demarcadas. Do total identificado de 631 Terras Indígenas (TIs) no Brasil, apenas 105 estão oficialmente registradas na região. Além disso, o Nordeste abriga atualmente 238 etnias indígenas. Em relação à população indígena que vive em áreas urbanas, o número chega a 63%.

Indígenas Potiguara, localizados na microrregião do litoral setentrional paraibano (Reprodução/Elias Medeiros)

O Estado de Pernambuco ocupa o segundo lugar em números absolutos de indígenas, com 20% do total, seguido pelo Maranhão, com 10,8%, e pelo Ceará, com 10,6%. Sergipe tem a menor participação, com 0,89%.

O superintendente da Sudene, Danilo Cabral, destacou a relevância do levantamento para o planejamento regional, pontuando que compreender a distribuição geográfica dos povos indígenas contribui para a formulação de políticas públicas mais inclusivas e para o desenvolvimento social mais democrático.

Entender a realidade dos povos indígenas é essencial para desenvolvermos ações que respeitem sua diversidade cultural e promovam a inclusão de forma justa. A produção desse tipo de conhecimento em forma de boletim também é parte da retomada da Sudene enquanto instituição que produz conhecimento que fundamenta decisões para promover um desenvolvimento regional com mais identidade e justiça social”, afirmou.

Política

A pesquisa também fez um levantamento sobre a presença política de indígenas na região, apontando a baixa representatividade nos municípios nordestinos. Nas eleições municipais de 2024, 567 indígenas se candidataram a cargos no legislativo municipal. Desses, 87 foram eleitos.

No Executivo municipal de todo o Nordeste, 14 candidatos eram indígenas. Quatro foram eleitos. Para a socióloga e analista da Sudene, Teresa Oliveira, o fortalecimento da representação política indígena é um passo fundamental para que suas pautas sejam efetivamente incorporadas à agenda pública.

“Houve um aumento da visibilidade das populações indígenas, especialmente nos centros urbanos, mas persiste a baixa participação desses povos nos cargos municipais, o que dificulta a criação de políticas públicas que respeitem suas especificidades culturais e sociais. É um conjunto de demandas que são tão específicas que precisam ser pensadas de uma maneira apropriada para esses povos: uma educação mais contextualizada, uma política de proteção social que leve em consideração as especificidades culturais desses povos, entre outros”, explicou.

Veja o boletim temático:
Indígenas no Brasil

Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou 8,5 mil localidades onde residem indígenas no País. Essas localidades são lugares permanentes com 15 ou mais moradores indígenas, em áreas urbanas ou rurais, dentro ou fora de Terras Indígenas (TIs).

O levantamento apontou ainda que 6,1 mil localidades (71,55%) estavam dentro de TIs, enquanto 2,4 mil (28,45%) estavam fora dessas áreas. A Região Norte registrou o maior número de indígenas do País, com 753 mil pessoas, o que representa 44,47% do total.

Mapa do Brasil indicando localizações de terras indígenas (Reprodução/IBGE)
Leia também: Apib completa 20 anos como símbolo da luta indígena no Brasil
Editado por Marcela Leiros
Revisado por Gustavo Gilona



Fonte: Agência Cenarium

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