Nova crise atinge o PL de Flávio após racha na convenção do Amapá


Por Cleber Lourenço

A campanha de Flávio Bolsonaro ganhou mais um foco de desgaste nesta segunda-feira (20). Desta vez, a crise veio do Amapá, onde a convenção do PL terminou em confronto público depois que a ex-deputada federal Sílvia Waiãpi (PL-AP) afirmou ter sido impedida de disputar as eleições e acusou dirigentes do partido de promover um “golpe” contra sua candidatura.

O embate ocorreu diante de filiados e lideranças da legenda. Antes da manifestação de Waiãpi, um integrante da convenção afirmou que o partido estava “juridicamente amparado” e que a permanência de um candidato com situação considerada de risco poderia comprometer toda a chapa. Também foi mencionada a existência de um parecer jurídico que embasaria a decisão.

Na sequência, Sílvia reagiu em público. Disse que havia apresentado todas as certidões exigidas e afirmou ter sido informada, durante a convenção, de que sua candidatura seria barrada. A ex-deputada atribuiu a decisão a “racismo estrutural” e ao preconceito contra “uma mulher indígena, conservadora e de direita”, afirmando que havia um “golpe” sendo articulado contra ela dentro do partido.

Mais um episódio de desgate

O episódio abre uma nova frente de desgaste para o PL em um momento em que a campanha de Flávio Bolsonaro já enfrenta dificuldades em diferentes estados. Nas últimas semanas, o senador e o partido tiveram de administrar sucessivas crises políticas, que vão desde atritos com aliados até decisões judiciais e impasses internos envolvendo candidaturas.

No Amapá, a disputa expôs um conflito entre a justificativa jurídica apresentada por dirigentes do partido e a versão sustentada por uma das principais lideranças bolsonaristas do estado. Enquanto integrantes da convenção defenderam que era necessário preservar a segurança jurídica da chapa, Waiãpi afirma que sua exclusão teve motivação política e discriminatória.

A crise também ocorre após a cassação do mandato de Sílvia Waiãpi pela Justiça Eleitoral, posteriormente mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral, por irregularidades na aplicação de recursos do fundo eleitoral na campanha de 2022. A situação jurídica da ex-deputada passou a ser um dos pontos centrais das discussões internas do PL, mas ela sustenta que cumpriu todas as exigências legais para disputar o pleito.

O novo episódio reforça o cenário de instabilidade enfrentado pelo partido na campanha eleitoral. Em vez de concentrar esforços na organização das candidaturas e na articulação política, o PL volta a lidar com um conflito interno transformado em disputa pública, agora acompanhado de acusações graves feitas por uma de suas principais representantes no Amapá.





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