O que se sabe sobre a morte de jovem atacado por leoa em zoológico na Paraíba


Por Carlos Villela

(Folhapress) — Órgãos policiais, administrativos e ambientais apuram as circunstâncias da morte do jovem Gerson de Melo Machado, 19, que invadiu o recinto de uma leoa no zoológico de João Pessoa (PB) e foi atacado pelo animal neste domingo (30).

Gerson tinha deficiência intelectual e transtornos mentais, e passou quase metade da vida sob acompanhamento intermitente do conselho tutelar. Segundo a prefeitura de João Pessoa, a equipe de segurança do zoológico tentou impedir que ele escalasse o muro da área onde fica a leoa, sem sucesso.

O caso é investigado pela Semam (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), que administra o Parque Zoobotânico Arruda Câmara, onde ocorreu o ataque. O local já recebeu visitas de técnicos do Ibama e da Polícia Civil. Veja abaixo o que se sabe sobre a morte de Gerson.

Como aconteceu o ataque?

Gerson escalou uma parede de mais de seis metros no zoológico, passou pelas grades de segurança e se pendurou em uma árvore para descer até o local onde fica a leoa. Imagens gravadas por pessoas que estavam no local mostraram que, ainda na árvore, o jovem foi atacado pelo animal na altura das pernas. Segundo a perícia, a morte ocorreu por ferimentos graves na região do pescoço. O corpo apresentava marcas de garras e presas, mas a leoa não ingeriu partes da vítima.

Quem era o jovem?

Gerson de Melo Machado, 19 anos, tinha histórico de vulnerabilidade desde a infância. Aos 10 anos, foi encontrado pela Polícia Rodoviária Federal caminhando em uma rodovia e passou a ser acompanhado pelo conselho tutelar, segundo a conselheira Verônica Oliveira, que seguiu seu caso por oito anos.

A mãe, diagnosticada com esquizofrenia, perdeu a tutela dos filhos, e Gerson foi o único de cinco irmãos que não foi adotado. O jovem tinha passagens pela polícia e, na semana anterior, teria atirado um paralelepípedo contra uma viatura da Polícia Militar.

A conselheira relatou ainda que Gerson dizia querer ir para a África para cuidar de leões e, em uma tentativa relacionada a esse desejo, tentou entrar no trem de pouso de um avião, sendo identificado por câmeras de segurança no aeroporto.

A diretora do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) Caminhar em João Pessoa, Janaina D’Emery, afirmou que Gerson recebeu acompanhamento pela rede municipal desde criança no atendimento psicossocial infantil, e depois da maioridade passou aos cuidados do Caps adulto.

“Gerson tinha muita dificuldade de aderir ao tratamento”, disse Janaina. Segundo ela, a falta de uma rede de apoio prejudicava seu acompanhamento.

Ela relatou que Gerson, já maior de 18 anos, havia ido ao Caps Caminhar em dezembro de 2024 mas deixado de frequentar o local em seguida. A equipe realizou buscas ativas, sem sucesso, até ele retornar em junho deste ano. Depois, voltou a sumir.

Uma nova busca ativa identificou que ele chegou a ser levado a um hospital psiquiátrico no Recife, retornando em novembro a João Pessoa e ao serviço do Caps, “onde o acolhemos novamente e ofertamos novamente o tratamento para continuidade.”. A última ida de Gerson ao Caps ocorreu na quinta-feira (27).

Ainda não há informações sobre o velório do jovem. A Polícia Civil apura o caso e disse no domingo cogitar a possibilidade de suicídio.

Como está a leoa?

Segundo o Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a leoa ficou estressada e em choque no momento do ataque, mas recebeu assistência e está bem.

O animal, que se chama Leona, respondeu aos comandos dos tratadores após o incidente e retornou ao recinto sem necessidade de tranquilizantes. Ela seguirá em acompanhamento por uma equipe técnica nos próximos dias e não deverá ser sacrificada.

O local onde Leona fica é envolto em grades, e o zoológico disse que a morte de Gerson foi um “incidente absolutamente imprevisível”.

Como está o acesso ao zoológico?

O Parque Zoobotânico Arruda Câmara, que é gerido pela Semam (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), está fechado para visitação enquanto ainda são realizadas as investigações. O local já recebeu visitas técnicas da Semam, da Polícia Civil, do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), da Sudema (Superintendência de Administração do Meio Ambiente), do conselho estadual de veterinária e da guarda municipal.

“Todos os órgãos competentes trabalham de forma conjunta para garantir transparência, segurança e os encaminhamentos necessários nos próximos dias”, disse o zoológico em nota.





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