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sexta-feira, fevereiro 13, 2026
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O que se sabe sobre as mortes por desinfetante em hospital no DF


(Folhapress) – A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três técnicos de enfermagem suspeitos de participação em três homicídios ocorridos no Hospital Anchieta, em Taguatinga. As vítimas tinham 75, 63 e 33 anos e morreram enquanto estavam internadas na UTI da unidade.

Duas prisões ocorreram no último dia 12, e a terceira, no dia 15. A motivação dos crimes ainda é investigada. Veja o que se sabe sobre o caso.

Mortes suspeitas chamaram atenção de hospital

O Hospital Anchieta de Taguatinga afirma que, ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua UTI, “instaurou, por iniciativa própria”, um comitê interno de análise.
Em nota, a instituição acrescenta que em menos de 20 dias identificou evidências envolvendo técnicos de enfermagem, demitiu os funcionários e encaminhou o caso às autoridades.

Vítimas morreram após aplicação irregular de medicamento

A investigação aponta que os pacientes teriam morrido após a aplicação irregular de medicamentos e até de desinfetante na veia. O principal suspeito é um técnico de enfermagem de 24 anos.

De acordo com o delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o medicamento usado, quando administrado fora dos protocolos médicos, pode causar parada cardíaca em poucos segundos. O nome da substância não foi divulgado.

Momento da prisão do principal suspeito por três mortes no Hospital Anchieta, no Distrito Federal; ele é um técnico em enfermagem de 24 anos – Divulgação/PolíciaCivil do DF

Suspeito encheu 13 seringas com desinfetante

O delegado Salomão disse que, após aplicar quatro doses do medicamento em uma das vítimas, o suspeito teria injetado desinfetante na veia da paciente.

“Em um dos casos, o medicamento acabou —ele [o técnico suspeito] injetou cerca de quatro vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela”, afirmou o delegado em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.

Quando as vítimas morreram?

As mortes teriam ocorrido entre novembro e dezembro de 2025.

De acordo com a polícia, o medicamento teria sido aplicado no 17 de novembro em dois pacientes, e em 1º de dezembro na terceira vítima.

Como o técnico de enfermagem agia?

Segundo a Polícia Civil, as prisões se baseiam em “elementos convincentes e bastante robustos”, como imagens de câmeras de segurança e análise de prontuários médicos.

A diretora do IML, Márcia Reis, afirma que o que chamou a atenção dos peritos foi a piora súbita das vítimas. Não houve agravamento gradual, mas deterioração repentina que levou à parada cardíaca e ao óbito.

A polícia afirma que o suspeito realizava massagem cardíaca para simular uma tentativa de reanimação das vítimas diante da equipe médica.

Para a diretora do IML, os indícios indicam que a aplicação do medicamento foi irregular, intencional e sem margem para erro, com conhecimento dos efeitos da medicação.

De acordo com o delegado Salomão, o técnico acessou o sistema hospitalar deixado aberto por outros médicos e, se passando por esses profissionais, prescreveu o medicamento. Foi à farmácia buscá-lo, preparou a dose, a escondeu-a no jaleco e a injetou na veia dos pacientes.

Suspeito teria sido acobertado por duas colegas

Ainda segundo o delegado, houve conivência de duas técnicas de enfermagem que estavam presentes no momento das aplicações. Uma delas o teria auxiliado na busca do medicamento na farmácia.

Uma das técnicas tem 28 anos e histórico de trabalho em outros hospitais. A outra tem 22 anos e estava em seu primeiro emprego. Elas também foram presas.

Segundo a polícia, as imagens das câmeras de segurança mostram as duas nos quartos das vítimas observando o procedimento e vigiando a porta para impedir a entrada de terceiros.

Outras mortes são investigadas

A polícia afirma que apura se o suspeito, tanto no próprio hospital quanto em outras instituições públicas e privadas onde os investigados já trabalharam.

O Coren-DF (Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal) informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa, afirmou estar acompanhando a situação e disse que adotará as medidas cabíveis dentro de suas atribuições.

Segundo Leandro Oliveira, diretor da divisão de perícias internas, a investigação trabalha com cerca de 20 laudos e pretende reconstruir uma linha do tempo extensa para identificar possíveis outras vítimas.

O que mais diz o Hospital Ancheita

A instituição afirma que entrou em contato com as famílias das vítimas para prestar esclarecimentos de forma responsável e acolhedora.

Segundo o Hospital Anchieta, o caso tramita em segredo de Justiça, o que impede a divulgação de informações adicionais .

A instituição afirma que o sigilo é essencial para preservar a apuração, proteger os envolvidos e garantir o regular trabalho das autoridades.





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