O super-rico, Hugo Motta e a Lei de Gérson


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Pelo menos na fartura de vídeos com uso de IA, milhões de brasileiros vivemos nesta semana a ilusão de que um dia, quem sabe, o super-rico vai pagar imposto como uma professora do ensino médio, por exemplo, como o dono da mercearia da esquina, quem sabe!

Vivemos o sonho de que este país pode ter um dia, finalmente, uma certa  Justiça Tributária.

Apesar de Hugo Motta ou Hugo Nem Se Importa, como o presidente da Câmara é chamado no anedotário dos vídeos e memes.

O sonho rendeu nas redes sociais. Na vida real, porém, dependerá de muita peleja daqui para frente. O Brasil segue com o maior paraíso para os ricaços do mundo. Somente aqui, milionário paga zero real de tributo nos dividendos da firma. Desculpa, na Estônia e na Letônia também rola o “liberou geral”, não estamos totalmente isolados como ilha de privilégio.

Será que um dia teremos algum regulamento que enquadre super-rico neste país? Tomara, meu Deus, tomara.

Por enquanto, pasme, a única regra que a turma bilionária faz questão de obedecer é a Lei de Gérson. E haja vantagem, desde sempre.

À beira de completar 50 anos de idade, a legislação informal merece uma crônica e a nossa viagem no tempo. Vamos nessa.

Em campo, o jogador de futebol Gérson foi considerado o cérebro da Seleção Brasileira tricampeã do mundo de 1970. Combativo, leal e capaz de dribles e lançamentos espetaculares, o meio-campista nunca usou de artimanhas ou malandragens para passar a perna nos adversários ou ludibriar os colegas de equipe. Sempre foi um exemplo de ética no meio esportivo. Por causa de um anúncio publicitário, porém, seu nome virou batismo de uma lei que nem está no papel, mas representa tudo que nós entendemos como “jeitinho brasileiro”.

A “Lei de Gérson” surgiu em 1976, depois da campanha da agência Caio Domingues & Associados para a marca Vila Rica. No comercial de televisão, o craque exaltava as qualidades do produto: “É gostoso, suave e não irrita a garganta. Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro?” Até aí, tudo bem. O que pegou mesmo foi a mensagem final, quando ele, com um sorriso maroto, olha para a câmera e diz: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”

Em poucos dias de exibição, os brasileiros repetiam aquele slogan em várias situações do cotidiano, sempre no sentido de tirar proveito — assim a lei informal é mantida até agora. O atleta já havia se aposentado quando gravou a propaganda. Foi escolhido por ser realmente um fumante de prestígio. O torcedor estava habituado a vê-lo com cigarro em fotos antes das partidas e até em intervalos de jogos.

A frase interpretada pelo jogador era repetida nos botecos pés-sujos e nos restaurantes de luxo, mas o uso da expressão “Lei de Gerson” só pegou nos anos 1980, quando o repórter Maurício Dias, da revista semanal Isto É a utilizou em uma entrevista com o psicanalista pernambucano Jurandir Freire Costa. Para o publicitário Eduardo Domingues, diretor da agência responsável pelo anúncio, o sentido antiético só ganhou força mesmo em 1981, quando a revista Exame deu o título “Lei de Gérson” a uma reportagem sobre a quebradeira do banco BrasilInvest, do empresário Mario Garnero.

A mesma agência ainda tentou reduzir o efeito negativo com um novo comercial. “Levar vantagem não é passar ninguém para trás, é chegar na frente”, explicava o reclame. Tarde demais. A lei que não saiu das nossas casas legislativas — e sequer foi escrita em algum lugar — já estava consolidada na sociedade brasileira.

O “Canhotinha de Ouro” jamais pensou que a sua atuação fora de campo pudesse render tanta polêmica. “Eu fiz uma propaganda, fui um artista ali, como tantos outros. A ideia foi essa, a de levar vantagem em tudo porque esse cigarro era mais barato que os outros. Todo cigarro é igual, não é? Mas esse aqui é melhor porque é mais barato”, disse ao site do Globo Esporte, em 2016. “Aí eles pegaram essa vantagem como se fosse pernada nos outros, passar os outros para trás. É a lei do Gérson. Lei do cacete, porra. Não tenho nada com isso aí.”





Fonte: ICL Notícias

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