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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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OCDE melhora projeções do PIB para o Brasil, mas alerta para desafios estruturais


A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) elevou a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil para 2025, mas manteve o tom de cautela ao apontar sinais de perda de fôlego e riscos persistentes no campo fiscal e inflacionário. No relatório divulgado na terça-feira (2), a entidade projeta expansão de 2,4% no próximo ano e de 1,7% em 2026 — ligeiramente acima das estimativas de junho.

Segundo a OCDE, a revisão positiva decorre sobretudo da forte safra agrícola, estimada para crescer 17%, e do consumo das famílias, impulsionado por um mercado de trabalho ainda aquecido. O desemprego caiu para 5,6%, mínima histórica, enquanto a renda real cresce acima de 3%.

Apesar do impulso inicial, a entidade observa sinais de arrefecimento na virada do ano. O índice de atividade recuou 1,8% desde abril, e tanto as vendas do varejo quanto a produção industrial voltaram a cair em setembro. O sentimento empresarial também perdeu força.

Para 2026, a expectativa é de que o investimento diminua, pressionado por juros elevados, incerteza externa e tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras — impacto ainda limitado, pondera a organização, devido à diversificação de mercados.

Inflação, juros altos e deterioração fiscal preocupam

A inflação segue sendo um ponto central de preocupação. A OCDE projeta IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 5,1% em 2025, recuando para 4,2% em 2026 e 3,8% em 2027. Mesmo com recuo frente às estimativas anteriores, a entidade ressalta que as expectativas para 2026 e 2027 permanecem acima do centro da meta de 3%. Energia elétrica, alimentos e serviços seguem entre os principais vetores de pressão.

Diante desse quadro, a política monetária permanece restritiva. O Banco Central elevou a taxa Selic a 15% em julho, após encerrar 2024 em 11,25%. O início do ciclo de cortes é esperado apenas em 2026, com redução gradual até cerca de 10,5% em 2027. Segundo o relatório, salários em alta, mercado de trabalho apertado e um déficit fiscal persistente mantêm as pressões inflacionárias vivas, exigindo juros elevados por mais tempo.

No campo fiscal, a entidade reforça que os riscos seguem elevados. O déficit público permanece “expressivo” e a dívida bruta, atualmente em 77,7% do PIB, deve continuar subindo, alcançando 80,1% em 2026 e 82,2% em 2027.

A OCDE afirma que será necessário reforçar o controle de gastos obrigatórios para evitar uma trajetória insustentável, alertando que eventual frustração das metas pode ampliar a incerteza e desestimular investimentos.

Crescimento global resiste, mas há vulnerabilidades

No cenário externo, a OCDE avalia que a economia global se mostrou mais resiliente em 2024, mas segue exposta a riscos significativos. A combinação de tarifas mais altas, incerteza política e sinais de enfraquecimento da demanda por trabalho coloca limites à expansão. As projeções foram mantidas: crescimento global de 3,2% em 2025, desaceleração para 2,9% em 2026 e recuperação para 3,1% em 2027.

O comércio internacional já mostra enfraquecimento após o adiantamento das transações no início do ano, marcado pela antecipação de tarifas. A inflação também permanece acima das metas em parte dos países, embora a entidade espere normalização gradual até meados de 2027.

A OCDE enfatiza que o otimismo com o potencial da IA (Inteligência Artificial) tem sustentado condições financeiras mais favoráveis, impulsionando investimentos e comércio de tecnologias ligadas ao setor.

Ainda assim, alerta para o risco de correções abruptas nos mercados caso expectativas de lucros não se concretizem. Somam-se a isso vulnerabilidades fiscais que podem elevar rendimentos soberanos e apertar as condições financeiras.





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