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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Operação Galho Fraco expõe suspeitas sobre uso de locadoras de carros por Jordy e Sóstenes


Por Cleber Lourenço

A operação Galho Fraco, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira, tem como eixo central a investigação sobre o uso de recursos da cota parlamentar para custear locações de veículos que, segundo a decisão judicial que autorizou as diligências, apresentam fortes indícios de irregularidade. As apurações envolvem despesas vinculadas aos gabinetes dos deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), apontados como alvos da operação.

A decisão judicial identifica nominalmente as empresas de locação de veículos no centro da apuração. Entre elas estão a HAURE Locação de Veículos, a Amazon Serviços e Construções Ltda. e a empresa que operava sob o nome fantasia Mobile Rent Car, posteriormente rebatizada como Alfa Auto Car Locação de Veículos Ltda., com nome fantasia Mobile Alfa Rent Car.

Sobre essa última empresa, o despacho é explícito ao descrever a alteração cadastral e a constatação feita pela Polícia Federal em diligência presencial. O magistrado registra, de forma literal:

“Imperativo ressaltar que a referida empresa cujo nome fantasia era MOBILE RENT CAR, mudou seu nome empresarial para Alfa Auto Car Locação de Veículos Ltda, e nome fantasia Mobile Alfa Rent Car, mantendo seu domicílio fiscal na Quadra 502 Bloco C Loja 37 Parte 286, 00, Asa Sul, Brasília/DF, Cep 70330530. Em diligência in loco, a equipe de policial constatou que a empresa não funciona mais em seu domicílio, o que permite concluir a dissolução irregular da empresa, na forma do enunciado nº 435 de Súmula de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ.”

Mesmo diante da constatação de que a empresa não operava mais no endereço declarado, a decisão ressalta que ela continuou a receber valores oriundos de reembolsos da cota parlamentar, vinculados à locação ou fretamento de veículos utilizados por gabinetes parlamentares. Para os investigadores, conforme registrado no despacho, esse conjunto de elementos “indica a possível utilização de empresa de fachada para a simulação de despesas públicas”.

A incompatibilidade entre a estrutura das locadoras e os serviços declarados aparece de forma explícita na decisão. O despacho registra, de forma literal:

“Ademais, comparando o tamanho da frota de veículos das empresas de locação de veículos aos parlamentares no Rio de Janeiro-RJ, onde têm suas bases parlamentares, com o tamanho da frota de veículos da HAURE, verifica-se uma discrepância, haja vista a HAURE ter somente 5 veículos em sua frota; por outro lado, as empresas no Rio de Janeiro-RJ têm sempre frota superior a 20 veículos.”
Para o juízo, essa discrepância reforça a suspeita de que a HAURE Locação de Veículos não teria capacidade operacional compatível com os serviços de locação informados nos pedidos de reembolso analisados pela Polícia Federal.

Dinheiro encontrado pela PF na operação Galho Fraco

A apuração também se apoia em diálogos extraídos de aplicativos de mensagens. De acordo com a decisão, há conversas que fazem referência direta à cobrança “do carro” e “da locadora”, com indicação de que parte dos valores seria formalizada por meio de nota fiscal, enquanto outra parcela seria paga em espécie. Para o magistrado, esses elementos “sinalizam a existência de pagamentos à margem do sistema formal”, compatíveis com a hipótese de desvio de recursos públicos.

O despacho menciona ainda a atuação simultânea de mais de uma empresa no circuito de locação, incluindo a Amazon Serviços e Construções Ltda., o que, segundo a Polícia Federal, pode indicar uma estratégia para adequar valores aos limites da cota parlamentar enquanto parte dos recursos circulava fora do sistema oficial de reembolso.

A decisão ressalta que o regulamento interno da Câmara dos Deputados veda o reembolso de despesas quando o fornecedor mantém vínculo direto ou indireto com o parlamentar, seus familiares ou servidores da Casa. Para o juízo, os elementos reunidos até o momento indicam possível burla a essas regras, criadas justamente para prevenir fraudes e conflitos de interesse no uso da cota parlamentar.

Com base nesses fundamentos, o magistrado autorizou a realização de buscas e outras medidas destinadas à coleta de provas materiais, como documentos, aparelhos eletrônicos e registros financeiros, com o objetivo de esclarecer a real dinâmica das locações investigadas no âmbito dos gabinetes de Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante. O inquérito segue em andamento, e os citados poderão apresentar suas versões nos autos.





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