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Pará: maioria dos feminicídios é cometida por parceiros ou ex, aponta pesquisa



Dados constam no relatório da Rede de Observatórios da Segurança (ROS), divulgado nessa quinta-feira, 13 (Composição: Lucas Oliveira/CENARIUM)

14 de março de 2025

Fabyo Cruz – Da Cenarium

BELÉM (PA) – Relatório da Rede de Observatórios da Segurança (ROS), divulgado nessa quinta-feira, 13, revelou um aumento da violência contra mulheres no Pará, em 2024. O Estado registrou um crescimento de 73,2% nos casos, saltando de 224 para 388 ocorrências em relação ao ano anterior. A maioria dos feminicídios registrados no Pará foi cometida por parceiros ou ex-parceiros.

Esses dados fazem parte do boletim “Elas Vivem: um caminho de luta”, que monitora nove Estados brasileiros (Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo) e destaca a persistência de uma sociedade profundamente machista e misógina, que subordina as mulheres e perpetua comportamentos violentos, como afirmado por Taiana Passos, pesquisadora do Instituto Mãe Crioula (IMC), que integra a ROS no Estado.

À CENARIUM, Passos destacou que a violência de gênero vai além das agressões físicas, incluindo formas mais sutis, como a violência psicológica, sexual e patrimonial, que muitas vezes são mais difíceis de identificar e denunciar. “Esse crescimento está profundamente ligado à desigualdade de gênero e à normalização de comportamentos violentos contra as mulheres”, afirmou.

Gráfico do Boletim “Elas Vivem: um caminho de luta” (Reprodução)

Fatores socioeconômicos, como o desemprego e a falta de políticas públicas eficazes, agravam essa realidade, tornando as mulheres mais vulneráveis à violência doméstica e dificultando o acesso à proteção e à Justiça.

Vínculo entre agressores e vítimas

No Pará, 63,4% dos casos de feminicídios foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. Esse dado evidencia a persistência da violência doméstica, onde o lar, que deveria ser um ambiente de segurança, muitas vezes se torna o local mais perigoso para as mulheres. O uso de armas de fogo e objetos cortantes também se destaca: 96 casos envolveram armas de fogo e 95 eram facas ou objetos cortantes.

Taiana Passos, pesquisadora do Instituto Mãe Crioula (IMC), que integra a ROS no Pará (Divulgação)

A dificuldade de acessar proteção é outro desafio. Somente 20 das 388 vítimas registradas no Pará, em 2024, possuíam medidas protetivas ativas. Passos ressaltou que as mulheres frequentemente enfrentam barreiras como dependência emocional ou financeira, medo de retaliação e descrença no sistema de justiça, o que impede muitas de formalizarem denúncias.

“É fundamental enfatizar a importância do registro do boletim de ocorrência e da solicitação das medidas protetivas de urgência”, afirmou a pesquisadora.

Mulheres negras e jovens

O relatório também destaca a vulnerabilidade das mulheres negras e jovens, grupos que representam a maior parte das vítimas de feminicídios. Das vítimas no Pará, 39% tinham entre 18 e 39 anos, e 12 eram mulheres negras, que continuam sendo as mais afetadas pela violência, muitas vezes enfrentando ainda a desigualdade racial.

Passos defendeu que as políticas públicas precisam ser aprimoradas para considerar as especificidades dessas mulheres, como o racismo estrutural e a desigualdade social, e garantir uma proteção mais eficaz a esses grupos.

Urgência de resposta

Apesar da Lei Maria da Penha, que completou 18 anos, em 2024, o Estado ainda não conseguiu controlar os níveis críticos de violência de gênero. Para reduzir esses números e evitar novas vítimas, Passos apontou a urgência na implementação de medidas mais rigorosas, ampliação de serviços de atendimento humanizado e maior agilidade nos processos judiciais.

Editado por Marcela Leiros
Revisado por Gustavo Gilona



Fonte: Agência Cenarium

Amazonas Repórter

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