spot_imgspot_img
27.3 C
Manaus
quinta-feira, fevereiro 12, 2026
spot_imgspot_img

para o governo Lula, relatório do Senado corrige excessos da Câmara


Por Cleber Lourenço

O relatório do senador Alessandro Vieira sobre o PL Antifacção não apenas reabriu o debate interno sobre o projeto, mas virou a chave política dentro do Ministério da Justiça. Até a chegada do texto ao Senado, a proposta aprovada na Câmara era tratada como um problema iminente. Técnicos do governo apontavam riscos de nulidade, sobreposição de normas, criação de dispositivos concorrentes e até a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal desmontar partes inteiras da matéria por inconstitucionalidade.

Internamente, a avaliação técnica era de que o texto aprovado pela Câmara criava dispositivos paralelos à Lei de Organizações Criminosas e abria margem para interpretações divergentes.

O ICL Notícias conversou com os chefes da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Secretaria de Assuntos Legislativos (SAL). Ambos avaliaram o substitutivo apresentado no Senado e afirmaram que o novo texto elimina os pontos de conflito, corrige distorções presentes na versão aprovada pela Câmara e reorganiza o projeto dentro da legislação já existente.

O que disse Mário Sarrubbo

O secretário da Senasp, Mário Sarrubbo, afirmou ao ICL Notícias que o texto do Senado representa uma ruptura necessária com o que havia sido aprovado na Câmara.

“O texto do Senado é muito melhor do que aquele que saiu da Câmara.”

Para ele, a versão aprovada pelos deputados criava um sistema legal paralelo, repleto de antinomias e incompatível com a estrutura penal existente. A tentativa de construir uma nova legislação independente da Lei 12.850 teria, segundo ele, consequências explosivas para investigações e julgamentos.

Na forma como o texto havia sido aprovado, afirmou o secretário, inúmeras investigações poderiam ser anuladas por falhas de enquadramento e conflitos de interpretação.

“Do jeito que veio da Câmara, qualquer advogado minimamente atento derrubaria metade das investigações. O Senado corrigiu isso.”

Segundo o secretário, o substitutivo apresentado por Vieira reencaixa o PL Antifacção no arcabouço jurídico já existente, elimina duplicações desnecessárias e devolve coerência ao tratamento legal de facções e milícias. Essa reorganização, diz ele, garante que investigações possam avançar sem receio de nulidades, revisões ou brechas para contestações artificiais.

Sarrubbo também destacou que a escolha do Senado de reconstruir o texto dentro da legislação vigente permite que instituições como polícias, Ministério Público e Judiciário mantenham a capacidade de atuar com previsibilidade. A lógica é simples: menos conflito legal significa menos risco de estagnação de processos e mais eficiência no enfrentamento ao crime organizado.

O que disse Marivaldo Pereira

Se Sarrubbo foi duro, Marivaldo Pereira, secretário de Assuntos Legislativos, foi ainda mais direto ao avaliar o texto que saiu da Câmara. Em conversa com o ICL Notícias, afirmou:

“A avaliação do governo é de que o relatório do senador Alessandro Vieira corrigiu os estragos que o Derrite fez no texto do governo que foi encaminhado à Câmara”.

Marivaldo explicou que a versão aprovada pelos deputados não apenas contrariava a arquitetura original do projeto do governo, como também criava dispositivos desconectados entre si, sem lógica interna e com potencial para gerar confusão normativa. Segundo ele, o substitutivo do Senado resgata a coerência ao PL Antifacção ao retomar a sistemática desenhada pelo Executivo.

O secretário ressaltou o avanço proporcionado pela regulamentação de técnicas especiais de investigação, como espelhamento de aplicativos e monitoramento remoto de dispositivos. Para ele, essas ferramentas são vitais para atingir lideranças de facções que operam à distância seja do exterior, de dentro de presídios federais ou por meio de intermediários que tentam apagar rastros digitais.

“Era um presente de Natal para facção.”

Segundo o secretário, a redação dos deputados criava brechas que poderiam ser exploradas por advogados para questionar operações, travar investigações e anular provas. O substitutivo apresentado no Senado, avalia ele, fecha essas lacunas e devolve consistência jurídica ao combate ao crime organizado.

Além disso, Marivaldo chamou atenção para o aprimoramento das regras de responsabilização financeira. Ele destacou que, ao fortalecer os mecanismos de combate à lavagem de dinheiro, o texto atinge a base econômica das facções — uma área que, segundo ele, costuma ser negligenciada em debates legislativos.

Consenso do Ministério da Justiça

Entre as duas secretarias, o diagnóstico é unânime: o Senado salvou o PL Antifacção de problemas jurídicos sérios e devolveu coerência ao projeto. Para técnicos do Ministério da Justiça, o substitutivo fortalece as ferramentas de enfrentamento as organizações criminosas sem criar distorções, romper com princípios constitucionais e sem expandir o sistema penal de maneira desordenada.

A avaliação predominante é que o texto construído por Alessandro Vieira tem mais estabilidade, maior segurança jurídica e condições reais de se consolidar como uma política de Estado — e não apenas uma resposta imediata ou de impulso à escalada de violência de facções e milícias.

A expectativa dentro do Ministério da Justiça é de que o substitutivo avance com menos resistência e sirva como base para ações coordenadas entre União, estados e forças de segurança.





ICL – Notícias

Beach club embargado da família Vorcaro realiza evento no pré-Carnaval da Bahia

Por Thiago Domenici – Agência Pública Uma festa realizada no último fim...

Toffoli deixa relatoria de investigação sobre o Banco Master

O ministro Dias Toffoli,...

Líderes da oposição apoiaram propostas para manter escala 6×1 e barrar mudança na Constituição

Por Vinicius Konchinski – Repórter Brasil  Prioridade do governo federal em 2026, o...
-Patrocinador-spot_img

Amazonas Repórter

Tudo

Bitcoin perdeu sua narrativa como ouro digital, diz JPMorgan

Analistas do JPMorgan acreditam que o Bitcoin perdeu sua narrativa como ‘ouro digital’. A crítica acontece enquanto o ouro sobe 18,2% em 2025...

Benja fala sobre bastidores do Corinthians: “É uma bagunça lá dentro”

Durante o programa “Domingol” da CNN Brasil, o apresentador Benjamin Back fez revelações sobre os bastidores do Corinthians. Segundo ele, Andrés Sanchez teria...

Chefe do órgão de estatística da Argentina deixa cargo às vésperas de novo índice de inflação

O chefe do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec),...