Parlamentares denunciam ameaças de ataques a universidades por grupos bolsonaristas no RJ


Por Gabriel Gomes

A vereadora Maíra do MST (PT) e a deputada estadual Marina do MST (PT) acionaram autoridades policiais e o Ministério Público nesta quinta-feira (8) para cobrar a investigação de ameaças de incêndios criminosos e ataques violentos contra universidades públicas do Rio de Janeiro.

As denúncias envolvem mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp identificados com o bolsonarismo, com referências à Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, e à Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytacazes.

Segundo as parlamentares, integrantes dos grupos discutiram a possibilidade de incendiar instalações universitárias e atacar estudantes durante manifestações políticas. Os gabinetes receberam capturas de tela das conversas e encaminharam o material às autoridades.

Em um grupo chamado “Juntos com Bolsonaro”, um participante identificado como Nikolas Mattos escreveu: “Tô conversando com o Flávio e vamos tacar fogo na UFF”. Na mesma conversa, outro integrante criou uma lista intitulada “INCENDIAR A UFF DE MADRUGADA”, à qual participantes acrescentaram nomes.

Outro grupo, denominado “Direita Brasil (Niterói)”, reuniu mensagens sobre o uso de soco-inglês, canivetes e bombas contra uma manifestação estudantil marcada para esta sexta-feira (9), em Niterói. Um dos participantes chegou a sugerir o uso de uma caminhonete para “passar por cima deles”, em referência aos manifestantes.

O ato estudantil tem concentração prevista nas Barcas de Niterói, às 12h30, com destino ao Campo de São Bento. As parlamentares alertam que a manifestação deve reunir estudantes da rede pública, incluindo adolescentes.

Ato contra Flávio Bolsonaro no Rio. (Foto: Ana Clara Ferreira)

Parlamentares cobram investigação

Em ofício encaminhado à Polícia Federal, à Polícia Civil, ao Ministério Público do Rio de Janeiro e à reitoria da UFF, Maíra e Marina solicitaram a identificação dos responsáveis pelas mensagens, a preservação dos registros dos grupos de WhatsApp e o reforço da segurança nos campi universitários.

O documento também pede que as autoridades avaliem uma eventual relação entre as ameaças e o incêndio ocorrido na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na quarta-feira (7).

Para Maíra do MST, as denúncias exigem uma resposta imediata das instituições. “O bolsonarismo odeia a ciência, as universidades e a educação pública porque elas estimulam o pensamento crítico e desmontam o mito. Essas denúncias são gravíssimas e precisam ser investigadas com urgência”, afirmou a vereadora

A deputada Marina do MST também manifestou preocupação com uma possível articulação para intimidar estudantes durante o período eleitoral. “As ameaças à UFF e à UENF parecem fazer parte de um ataque coordenado de grupos de extrema direita em várias regiões do país com objetivo de hostilizar e intimidar estudantes”, declarou. A hipótese de uma ação coordenada ainda depende de investigação.

UFF aciona Polícia Federal e reforça segurança

A Universidade Federal Fluminense confirmou, em nota divulgada na quinta-feira (8), que acionou a Polícia Federal após tomar conhecimento de ameaças contra estudantes e instalações da instituição.

Segundo a universidade, as mensagens começaram a circular na quarta-feira (7) e incluem ameaças de incêndio e agressões contra participantes de manifestações políticas.

A UFF informou que encaminhou o material às autoridades e solicitou apoio da Secretaria de Gestão Integrada de Niterói para reforçar a segurança nos campi. A Superintendência de Operações e Manutenção da universidade também foi mobilizada para intensificar a vigilância.