Pentágono quer ‘restaurar a supremacia militar’ sobre a América Latina


O governo de Donald Trump fala abertamente em retomar a “supremacia militar” sobre a América Latina e alerta que a defesa dos EUA inclui o controle sobre todo o hemisfério. A mensagem faz parte da estratégia de defesa nacional divulgada pelo Departamento da Guerra na última sexta-feira.

Num documento de cerca de 30 páginas, o Pentágono traça as linhas do poder militar dos EUA e indica que a ameaça chinesa não será combatida em choques diretos entre as duas superpotências, mas na ideia de “contenção”.

Um dos pontos centrais, porém, é a garantia do controle sobre as Américas.

“Defenderemos ativa e destemidamente os interesses da América em todo o Hemisfério Ocidental. Garantiremos o acesso militar e comercial dos EUA a terrenos estratégicos, especialmente o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia. Forneceremos ao Presidente Trump opções militares confiáveis ​​para usar contra narcoterroristas onde quer que estejam”, indicou.

Segundo o documento, o governo irá se envolver “de boa fé com nossos vizinhos, do Canadá aos nossos parceiros na América Central e do Sul, mas garantiremos que eles respeitem e façam sua parte para defender nossos interesses comuns. E onde não o fizerem, estaremos prontos para tomar medidas focadas e decisivas que promovam concretamente os interesses dos EUA”, disse.

“Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as forças armadas americanas estão prontas para aplicá-lo com rapidez, poder e precisão, como o mundo viu na Operação ABSOLUTE RESOLVE”, afirmou, numa alusão à operação de sequestro de Nicolás Maduro.

De acordo com o plano, a Operação Lança do Sul demonstra que Trump está “extremamente empenhado em impedir que narcoterroristas contrabandeiem narcóticos letais para o nosso país”.

“O presidente também está empenhado em levar os narcoterroristas à justiça. Nicolás Maduro, por exemplo, pensava que poderia envenenar americanos impunemente. A Operação Resolução Absoluta o ensinou o contrário — e todos os narcoterroristas deveriam tomar nota”, alertou.

Ameaça

A avaliação é de que “os interesses americanos também estão ameaçados em todo o Hemisfério Ocidental”.

“Já no século XIX, nossos antecessores reconheceram que os Estados Unidos deveriam assumir um papel mais poderoso e de liderança nos assuntos hemisféricos para salvaguardar a segurança econômica e nacional de nossa nação”, disse.

“Foi essa percepção que deu origem à Doutrina Monroe e ao subsequente Corolário Roosevelt. Mas a sabedoria dessa abordagem se perdeu, pois tomamos nossa posição dominante como garantida, mesmo quando ela começou a se dissipar”, alertou. “Como resultado, vimos a influência de adversários crescer da Groenlândia, no Ártico, ao Golfo da América, ao Canal do Panamá e a locais mais ao sul. Isso não apenas ameaça o acesso dos EUA a terrenos-chave em todo o hemisfério, mas também torna as Américas menos estáveis ​​e seguras, prejudicando os interesses dos EUA e de nossos parceiros regionais”, constatou.

Segundo a estratégia, o Departamento de Guerra “priorizará essa defesa, inclusive defendendo os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental”.

A estratégia na região consiste em três vertentes:

 

Garantir a segurança de nossas fronteiras. A segurança das fronteiras é segurança nacional. O Departamento de Guerra priorizará, portanto, os esforços para selar nossas fronteiras, repelir formas de invasão e deportar imigrantes ilegais em coordenação com o Departamento de Segurança Interna.

Combater o narcoterrorismo no hemisfério. Mesmo enquanto o Departamento trabalha para garantir as fronteiras dos Estados Unidos, reconhecemos que as ameaças a essas fronteiras também devem ser abordadas em outras regiões do hemisfério. Portanto, ajudaremos a desenvolver a capacidade dos parceiros de enfraquecer organizações narcoterroristas nas Américas e os apoiaremos nesse processo, mantendo também nossa capacidade de tomar medidas decisivas unilateralmente. Mas se nossos parceiros não puderem ou não quiserem fazer sua parte, estaremos preparados para agir decisivamente por conta própria, como a Força Conjunta demonstrou na Operação ABSOLUTE RESOLVE.

Garantir a segurança de terrenos estratégicos no hemisfério ocidental. Conforme estabelecido na Estratégia de Segurança Nacional (NSS), os Estados Unidos não mais cederão acesso ou influência sobre territórios estratégicos no Hemisfério Ocidental. O Departamento de Guerra, portanto, fornecerá ao Presidente opções viáveis ​​para garantir o acesso militar e comercial dos EUA a territórios estratégicos do Ártico à América do Sul, especialmente a Groenlândia, o Golfo da América e o Canal do Panamá. Garantiremos que a Doutrina Monroe seja respeitada em nossa época.

A conclusão é explícita:

“Após anos de negligência, o Departamento de Guerra restaurará a supremacia militar americana no Hemisfério Ocidental. Usaremos essa supremacia para proteger nossa pátria e nosso acesso a territórios estratégicos em toda a região. Também impediremos que adversários posicionem forças ou outras capacidades ameaçadoras em nosso hemisfério. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe – uma restauração sensata e eficaz do poder e das prerrogativas americanas neste hemisfério, em consonância com os interesses dos americanos”.





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