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sexta-feira, fevereiro 13, 2026
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Pesquisa mostra relações entre besouros e cupins no cerrado


Nos últimos anos, um grupo de pesquisadores especializados no estudo de serpentes e lagartos do cerrado brasileiro deparou-se com uma constatação curiosa. Ao buscar animais para coleta, esses cientistas passaram a encontrá-los, com frequência, abrigados em cupinzeiros.

Mas não eram cupinzeiros normais, habitados por cupins, mas sim estruturas invadidas e modificadas por outros insetos, as larvas de besouro do gênero Actinobolus, que se aproveitam desse ambiente para se alimentar e fazer a metamorfose para a fase adulta. Esses invasores abrem enormes túneis, amplos o suficiente para que répteis e inclusive outros animais, como pequenos mamíferos e aves, os usem como abrigos.

“Mesmo sem as larvas, vários animais usam, mas geralmente animais de menor porte. Mas aí quando eles comem o ninho, outros animais de maior porte, inclusive mamíferos e aves, conseguem entrar no cupinzeiro e usar como abrigo”, explica o pesquisador Reuber Brandão, da Universidade de Brasília (UnB) e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).

A descoberta foi feita em parceria com o pesquisador Luís Felipe Carvalho de Lima, na Reserva Natural Serra do Tombador, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) mantida pela Fundação Boticário, em Cavalcante (GO). Os pesquisadores constataram que os cupinzeiros modificados pelas larvas de besouros protegem os répteis, mamíferos e aves de situações como incêndios e períodos de seca, já que garante a manutenção da umidade e temperatura mesmo em situações mais extremas como queimadas.

Mas, como muitas interações ecológicas, há um saldo negativo para uma das espécies. Nesse caso, os prejudicados são os cupins, que acabam tendo sua colônia destruída e inabitável para a espécie.

“As larvas de besouro evoluíram para conseguir acessar o ninho e comem o ninho. Eles comem larvas de cupins e cupins que não fogem. Enfim, eles matam a colônia”, afirma Brandão.

Mudanças climáticas

Na pesquisa, foi constatado que, por enquanto, as invasões de cupinzeiros pelo Actinobolus são raras, ocorrendo em apenas 2% dos 179 cupinzeiros pesquisados. Há, no entanto, uma dúvida em relação ao futuro dessa interação diante de um cenário de mudanças climáticas.

“Sem o trabalho de manutenção dos cupinzeiros pelos cupins, eles acabam erodindo com o tempo. Os cupinzeiros mortos são mais efêmeros do que aqueles ativos. Uma preocupação que a gente tem é com as mudanças climáticas no cerrado, com menos chuvas previstas e maiores temperaturas. Isso vai favorecer mais ou vai favorecer menos o besouro?”, destaca Brandão.

Não se sabe, por exemplo, como o aumento das queimadas, com um cerrado mais quente e menos úmido, afetará as relações entre esses diferentes animais. Se o besouro se favorecer nesse novo cenário, ele poderá aumentar os abrigos para os animais maiores durante as queimadas, em um curto prazo. Por outro lado, a longo prazo, isso poderá ter um efeito oposto: reduzir os abrigos, uma vez que poderá haver menos cupins para construir novos cupinzeiros.

Isso também poderá reduzir a oferta de nutrientes para as espécies que se alimentam de cupins, como os tamanduás.

“Os cupins são a maior biomassa animal do cerrado. Não tem nenhum animal no cerrado que tenha tanta biomassa quanto eles. Então eles são a base alimentar de todo o cerrado. Desde invertebrados até tamanduás vão comer cupins”.

Portanto, nos próximos anos, a pesquisa continuará acompanhando o comportamento dos besouros e os efeitos de suas atividades no cerrado, além dos impactos que as mudanças climáticas terão sobre as relações ecológicas.

“A gente está muito preocupado com o que vai acontecer com os cupinzeiros. A gente sabe que os balanços ecológicos estão sendo afetados tanto pela atividade humana – de ocupação do território, de uso da água, de ocorrência de fogo de origem antropogênica – como também pelas mudanças em um prazo um pouco maior associadas ao cerrado, como a diminuição das chuvas e o aumento da temperatura. Isso vai ter impacto a longo prazo”.



Fonte: Agência Brasil de Notícias

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