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PESQUISA: Para 73%, a escola deve ensinar sobre política e questões sociais


Algumas pautas sem respaldo popular recebem uma atenção desproporcional no debate público. Uma delas foi a Escola Sem Partido, movimento que virou lei em vários estados antes de ser derrubado por tribunais regionais e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que a considerou inconstitucional.

A maioria ouvida pela pesquisa de opinião pública encomendada pelo ICL, feita pela Ágora Consultores, revela que 73% da população brasileira acredita que a escola deve, sim, ensinar sobre política, questões sociais e dar espaço à pluralidade de ideias. Os principais tópicos da pesquisa foram publicados pela Revista Liberta.

Esse percentual é a soma dos percentuais de brasileiros que consideram fundamental que a escola ensine os jovens a pensar criticamente (44%) e dos que acreditam (30%) que a educação deve apresentar uma pluralidade de ideias, mas sem extremismos. Apenas uma fatia minoritária de 14% encara a proposta como uma forma de “doutrinação ideológica” e 2% disseram não saber.

Esses resultados reforçam os achados sobre a politização da sociedade brasileira. A maioria (55%) considera importante e interessante se envolver com política e 36% disseram ser necessário, mas acham estressante.

O levantamento também demonstra que as pautas da Escola sem Partido, que exige neutralidade do professor em sala de aula e o monitoramento dos docentes, são da direita. Entre os entrevistados que se identificam como direita e centro-direita, a proporção dos que consideram que ensino de política e questões sociais é doutrinação se eleva para 25% e 19%, respectivamente.

Os comentários dos voluntários ouvidos durante a pesquisa reforçam a percepção de que o distanciamento da política é prejudicial à sociedade. Em análises qualitativas, os participantes (55%) defenderam que “a política deveria ser matéria escolar” e um dever cívico (“participar é um dever, mesmo sem gostar”). Nesse imaginário, envolver-se com política é “consciência”, “conhecimento” e um “futuro melhor”.

Para esses cidadãos, o envolvimento com o tema é visto como parte da vida cotidiana e quem não participa “tem de aceitar o que vier”. Para este grupo, acompanhar as notícias e discussões públicas faz parte de “estar informado”, “fiscalizar os políticos” e “formar opinião própria”, em vez de repetir o que os outros dizem.

Há também uma ideia que associa política à democracia. Em vários comentários, os voluntários disseram que a política é o espaço onde “o soberano é o povo” e acompanhar os debates é necessário para “poder cobrar”, “fiscalizar” e evitar “virar bolsominion” ou “terminar como a Coreia do Norte ou Cuba”, ou seja, para não cair em servidão nem em fanatismos, reconhecendo a importância das instituições republicanas e da liberdade de expressão e de imprensa.

No grupo que considera a política “necessária, mas estressante” (36%), há um sentimento de ambivalência: é preciso estar informado, mas há um custo emocional alto por causa da corrupção, da polarização e da sensação de impotência. Em falas que soaram como desabafos, os entrevistados se mostraram desiludidos com a classe política: “é asquerosa”, “as atrocidades que os políticos cometem desanimam”, “sempre se repete a mesma coisa, as mesmas coisas”. Muitos disseram estarem incomodados com o rompimento de laços familiares e amizades: “a cultura política brasileira transforma a política em uma crença”, “as pessoas se movem por paixão, não por razão”, “já perdi amizades”.

Há também o reconhecimento de que as redes sociais e meios de comunicação amplificam esse clima tóxico. No final, fica uma frustração quanto à própria impotência em mudar as coisas: “percebe-se que, por mais que um se informe, as coisas não mudam”, “os corruptos sempre ganham”, “os desonestos sempre vencem o jogo, o honesto é um otário.”

Os 6% que consideram a política “algo chato e inútil” ou como “ser manipulado e fazer papel de bobo” fazem coro ao desgosto demonstrado pelo grupo que considera necessário, embora desgastante. No entanto, a saturação e rejeição ao clima de conflito constante, onde opinar implica ser rotulado e atacado, levou a uma decisão consciente de não se envolver com política e “priorizar os problemas reais”. O grupo que tomou essa decisão tem também uma visão negativa da imprensa: “mídia parcial”, “sistema manipulado”, “culpa da imprensa manipuladora”, “imprensa vende sua versão ao sistema”. Há também falas extremistas de que não há políticos sérios e de quem acredita que “nos bastidores está tudo combinado.”

O estudo consiste em uma pesquisa de opinião pública cujo universo abrange pessoas com 16 anos ou mais na República Federativa do Brasil, realizada em novembro de 2025 por meio do Painel on-line da Ágora Consultores. Foi adotado um desenho amostral estratificado por Unidade da Federação (UF/Estado), com cotas populacionais conforme dados censitários e aplicação de cotas cruzadas por sexo, faixa etária e zona/área, assegurando consistência e equilíbrio na composição amostral. A amostra totalizou 9.497 entrevistas efetivas, com nível de confiança de 95% e margem de erro amostral de ±1,0 p.p. para distribuições simétricas.

Como etapa adicional de robustez, a base foi ponderada e calibrada por sexo, idade, escolaridade e áreas, e submetida a procedimentos de controle de qualidade e consistência, incluindo validações de respostas, identificação de duplicidades, checagens de coerência interna e análise de tempo de resposta.





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