Por Cleber Lourenço
A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar a atuação do grupo Fictor por suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional. A abertura da investigação foi confirmada ao ICL Notícias pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em meio ao agravamento da crise financeira do conglomerado e poucos dias após o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo.
O inquérito vai apurar possíveis práticas de gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, emissão de títulos sem lastro equiparados a valores mobiliários e a eventual operação de instituição financeira sem autorização. A investigação busca reconstruir o fluxo de recursos movimentados pelo grupo, a origem dos valores captados e o destino final dos aportes realizados por investidores.
A apuração foi aberta após a consolidação de informações preliminares reunidas pela Polícia Federal e por órgãos de controle, que apontaram inconsistências no modelo de captação de recursos adotado pelo grupo. Essas informações ganharam peso após o pedido de recuperação judicial, protocolado no início de fevereiro, quando credores passaram a questionar a real situação patrimonial da empresa.
Interesse pelo Banco Master
O grupo Fictor passou a chamar a atenção das autoridades também por sua aproximação com o caso Banco Master. Em meio à crise que levou à liquidação da instituição financeira pelo Banco Central, o grupo chegou a anunciar interesse na aquisição do banco, movimento que gerou estranhamento no mercado e reforçou o escrutínio sobre sua capacidade financeira e sobre a origem dos recursos envolvidos na operação.
Além da Polícia Federal, o grupo é alvo de análises no âmbito do mercado de capitais. A Comissão de Valores Mobiliários acompanha denúncias relacionadas à oferta de investimentos e à captação de recursos junto a investidores, o que pode configurar infrações administrativas e, a depender do aprofundamento das apurações, também ilícitos penais.
O inquérito está em fase inicial, com coleta de documentos e análise técnica das informações financeiras, e que novas diligências poderão ser adotadas conforme o avanço das apurações.




