PF apura contrato de R$ 14,2 mi entre empresa ligada à Refit e Ciro Nogueira, diz revista


A Polícia Federal investiga uma negociação de 14,2 milhões de reais entre uma empresa vinculada ao empresário Ricardo Magro e a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda., pertencente à família do senador Ciro Nogueira. O parlamentar confirmou a existência do contrato e afirmou que 10,8 milhões já foram pagos pela compradora. As informações são da revista Piauí.

O negócio aparece em documentos analisados pela PF na Operação Sem Refino, deflagrada contra o grupo Refit. Ricardo Magro é apontado pelas autoridades como líder de um esquema suspeito de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos. O empresário teve prisão decretada pelo STF e é considerado foragido internacional, incluído na lista vermelha da Interpol.

Segundo as investigações, a empresa Athena Real Estate, ligada ao fundo EUV Gladiator, reservou os 14,2 milhões para a compra de uma área de 40 hectares no sul de Teresina, às margens da BR-316. De acordo com Ciro Nogueira, o terreno seria destinado à instalação de uma distribuidora de combustíveis.

O contrato foi assinado em agosto de 2024. Pela empresa da família do senador, assinou Raimundo Nogueira Lima, irmão de Ciro e presidente da companhia. Pela Athena, assinou Pedro Zuaid Dias Soares, apontado pela PF como operador da estrutura financeira atribuída a Magro.

Os pagamentos começaram em novembro de 2024. Inicialmente, foram feitos depósitos de 2,5 milhões de reais nos três primeiros meses. Depois, os repasses passaram para parcelas mensais de 300 mil reais. O último pagamento registrado ocorreu em dezembro de 2025, embora ainda restem 3,4 milhões para quitar o valor total.

A PF tenta esclarecer se a operação imobiliária foi regular ou se serviu para ocultar eventual vantagem indevida. Os investigadores também analisam possível relação entre o negócio e a atuação de Ciro Nogueira no Congresso em pautas de interesse da Refit.

Meses antes da assinatura do contrato, o senador apresentou emendas ao projeto do devedor contumaz que poderiam dificultar o enquadramento de empresas do setor de combustíveis nessa categoria. Nos bastidores, as propostas ficaram conhecidas como “emendas-Refit”, embora não tenham sido aprovadas.

Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade. Em nota, afirmou que a negociação foi “regular e totalmente declarada”, disse não ter participado diretamente das tratativas e alegou que sua participação societária na empresa era inferior a 1% à época do contrato. O senador também declarou que atualmente não integra mais o quadro societário da companhia.

Documentos obtidos pela revista Piauí mostram, porém, que Ciro ainda mantinha usufruto sobre quotas da empresa e tinha previsão de receber valores futuros em distribuição de lucros. Questionado sobre isso, o parlamentar afirmou desconhecer os números e disse que iria verificar as informações.

A investigação também aponta conexões entre a Athena Real Estate, a Eurovest S.A. e outras empresas suspeitas de movimentar bilhões de reais em operações consideradas atípicas pelas autoridades. Segundo o Ministério Público e a PF, essas estruturas teriam sido usadas para movimentar recursos da Refit, adquirir imóveis e reinserir capital no sistema financeiro com aparência de legalidade.

A Operação Sem Refino tramita no Supremo Tribunal Federal por envolver pessoas com foro privilegiado. O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes. A PF investiga suspeitas de gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem econômica relacionados ao grupo Refit, cuja dívida estimada com os cofres públicos chegaria a 52 bilhões de reais.





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