A coluna apurou com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal que o áudio atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, divulgado pela revista Veja com acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem indícios de ter sido produzido em algum dos locais em que Vorcaro esteve preso a partir de maio deste ano. Investigadores mencionaram que o banqueiro menciona o dinheiro entregue a pedido do senador e candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para supostamente financiar o filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro. O filho mais velho de Bolsonaro pediu U$ 24 milhões ao banqueiro.
A informação sobre a suspeita do áudio ter sido feito na cadeia foi apontada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e confirmada pelo ICL Notícias. O caso Dark Horse foi noticiado apenas em maio por uma reportagem do Intercept Brasil e até aquele momento não era mencionado nem por Flávio ou mesmo por Vorcaro durante suas tentativas de colaboração. Todas as reuniões sobre colaboração premiada também só se deram depois da prisão em março e nenhum dado apontado no áudio tinha sido apresentado aos investigadores. Tanto na PF como na PGR avalia-se que o conteúdo apresentado por Vorcaro possui indícios de uma armação eleitoral para favorecer Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.
PF nega recebimento de depoimento e documentos
Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, a Polícia Federal contestou diretamente a existência de um depoimento com o conteúdo atribuído a Vorcaro pela Veja.
“Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, afirmou a corporação.
A PF também informou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pelo ex-banqueiro foram rejeitadas por não atenderem aos requisitos legais.
Além do esclarecimento, a instituição confirmou ter recebido, nesta sexta-feira, uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apurar fatos relacionados à publicação. O expediente foi encaminhado à área técnica responsável pelas providências de polícia judiciária.
PGR confirma que nunca ouviu Vorcaro
A Procuradoria-Geral da República também divulgou um esclarecimento oficial, às 11h29 desta sexta-feira, informando que não houve depoimento oral de Vorcaro durante as negociações de colaboração premiada.
“Não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR”, afirmou o órgão.
Segundo a Procuradoria, todas as tratativas foram conduzidas por advogados contratados pelo ex-banqueiro. As propostas foram recebidas conforme apresentadas pela defesa, sem recusas antecipadas, mas a colaboração acabou rejeitada.
“Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, acrescentou a PGR.
O órgão ressaltou que o procedimento de colaboração está protegido por sigilo legal e não detalhou o conteúdo dos documentos apresentados pelos antigos advogados.





