A economia dos Estados Unidos registrou no terceiro trimestre seu desempenho mais robusto em dois anos, evidenciando a resiliência do consumo das famílias e dos investimentos das empresas, além de um cenário comercial menos restritivo. O PIB (Produto Interno Bruto) ajustado pela inflação avançou a uma taxa anualizada de 4,3%, acima das expectativas do mercado e superior ao crescimento de 3,8% observado no trimestre anterior, segundo dados divulgados pelo Bureau of Economic Analysis (BEA) nesta terça-feira (23).
O resultado surpreendeu analistas e reforçou a leitura de que a economia manteve fôlego ao longo do meio do ano. O relatório foi divulgado com atraso devido à paralisação (shutdown) do governo federal, que levou ao cancelamento da estimativa preliminar prevista para o fim de outubro. Em razão da paralisação, o BEA divulgará apenas duas estimativas trimestrais, em vez das três habituais.
A composição do crescimento indica sustentação ampla da atividade, com gastos de consumidores e empresas permanecendo firmes e recuo das tarifas mais duras implementadas pelo presidente Donald Trump.
Shutdown deve impactar dados do 4º tri
Apesar disso, economistas alertam que o impacto do shutdown deve pesar sobre o desempenho do quarto trimestre, ainda que a expectativa seja de recuperação moderada em 2026, apoiada pela devolução de impostos às famílias e pela possibilidade de a Suprema Corte derrubar tarifas globais.
No mercado financeiro, o dado mais forte reforçou a percepção de que o Federal Reserve, o banco central estadunidense, não terá pressa em afrouxar a política monetária.
Após a divulgação, os títulos do Tesouro americano recuaram, enquanto os futuros de ações ampliaram perdas. As projeções mais recentes do Fed corroboram essa postura: dirigentes veem espaço para apenas um corte de juros em 2026, após três reduções até o fim deste ano.
A cautela do banco central é explicada, em parte, pela inflação ainda acima da meta de 2%. O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), excluindo alimentos e energia — medida preferida do Fed — avançou 2,9% no terceiro trimestre, mantendo a pressão sobre a condução da política monetária, mesmo diante de um crescimento econômico mais vigoroso.




