PL se isolou ao ser único contra manifestação da Câmara sobre taxação de Trump


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Por Cleber Lourenço

O PL ficou isolado na Câmara dos Deputados ao se opor à nota oficial publicada pela Casa contra a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de impor uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros. A manifestação, aprovada por ampla maioria, foi confirmada por líderes partidários presentes na reunião desta quinta-feira (10), incluindo Lindbergh Farias (PT), Mário Heringer (PDT) e Talíria Petrone, líder da federação PSOL-Rede-PV. Segundo eles, a decisão reforça o consenso de que o Congresso deve reagir a ataques externos que afetam a economia e a soberania nacionais.

De acordo com relatos, a proposta da nota partiu da base governista, mas rapidamente obteve apoio de partidos independentes e até de setores tradicionalmente mais críticos ao governo. O PL foi o único a se manifestar contra, alegando que não cabe ao Parlamento se posicionar sobre decisões de política comercial de um governo estrangeiro.

Para os demais líderes, no entanto, a posição do PL evidenciou mais um alinhamento ideológico com o trumpismo do que um cálculo político racional, ignorando os impactos reais sobre os produtores brasileiros atingidos pela medida. O deputado federal Mário Heringer (PDT-MG) disse ao ICL Notícias que o PL considera que o posicionamento “não foi grave”.

“O PL realmente se manifestou contra uma nota de repúdio ao desatino Trumpista e entende que não foi grave. Quero ver explicar isso para os empresários lesados do Brasil inteiro. O silêncio da Câmara seria demonstração de indiferença as dores da economia produtiva do Brasil. Há por traz dessas ações de Trump uma série de segundas intenções claras; transformar Bolsonaro em perseguido político propiciando asilo político nos EUA, desagregar o Brics, reforçar a cambaleante moeda deles (déficit americano é enorme) e finalmente desequilibrar mais ainda a balança comercial para o lado deles.”

Em coletiva à imprensa após a reunião, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), classificou a postura do PL como incoerente e reforçou que a manifestação da Câmara era inevitável diante do cenário:

“Foi solicitado. O líder do PDT apresentou um requerimento para que a Casa se manifestasse. Contrário a essa, essa ação deletéria do governo americano com relação ao tarifaço que ela anunciou. E, evidentemente, nós já nos manifestamos. Isso é inaceitável. Há vários setores atingidos por essa medida. Estão se manifestando. Só o PL, que está solidário com outra. É um consenso de vários líderes dizendo que isso é inaceitável. Essa decisão do governo americano e evidentemente que nós vamos reagir.”

PL se isolou ao ser único contra manifestação da Câmara sobre taxação de Trump

O líder da bancada do PT, Lindbergh Farias, reforçou a gravidade do momento, comparando a taxação à história de outros embates comerciais internacionais e criticando o que chamou de chantagem política:

“Pode dizer que, dada a gravidade do momento, estamos falando de uma das maiores agressões ao nosso país da história, é fundamental que o Congresso Nacional se pronuncie sobre a taxação de 50% imposta por Trump. Algo totalmente desproporcional e injustificado. Uma taxação política para agredir e chantagear o Brasil, num momento em que o STF conduz um julgamento imparcial e independente, pautado na lei e no devido processo legal. Por isso, defendi na reunião de líderes e fui apoiado por outros líderes da necessidade dessa manifestação. O PL de Bolsonaro ficou totalmente isolado.”

Taxação e soberania nacional

Já a deputada Talíria Petrone destacou que a defesa da soberania deve estar acima de preferências partidárias ou ideológicas, e criticou a escolha do PL em apoiar um ataque externo:

“E reforço que é absurdo, num caso de extremo ataque à nossa soberania, haver parlamentares defendendo Trump. É a hora que vemos quem é patriota.”

Nos bastidores, um líder presente na reunião resumiu a resistência do PL como cautela para não atacar Trump, alegando receio de piorar a situação e insistindo em culpar o Brasil. Ele destacou que Bia Kicis chegou a afirmar que o Brasil não tem soberania porque Biden teria interferido na eleição de 2022, revelando a postura defensiva e ideológica dos aliados de Bolsonaro. A reportagem procurou o deputado Sóstenes Cavalcante, citado como um dos articuladores dessa cautela, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Já um líder da base governista fez a seguinte observação em caráter reservado:

“Em síntese: nos atacam e se nos defendermos seremos culpados pela piora! Disfarçam, e tentam culpar as vítimas.”

Quase 24 horas após o anúncio das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos, o Congresso Nacional divulgou uma carta oficial, datada desta quinta-feira (10), em resposta à medida do presidente Donald Trump. A nota reforça que o Parlamento acompanhará os desdobramentos do caso com atenção e responsabilidade.





Fonte: ICL Notícias

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