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Plínio leva reprimenda de Alcolumbre por falas contra Marina



Alcolumbre repreende Plínio porque foi cobrado pela imprensa (Composição: Paulo Dutra/Cenarium)

19 de março de 2025

Ana Cláudia Leocádio – Da Cenarium

BRASÍLIA (DF) – O presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), repreendeu as falas do senador Plínio Valério (PSDB-AM) contra a ministra do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, Marina Silva, durante evento em Manaus, quando questionou como pôde ter passado 6h e 10 minutos com ela, em audiência da CPI das ONGs, sem tê-la enforcado. A reprimenda ocorreu durante sessão ordinária, na tarde desta quarta-feira, 19, no plenário da Casa.

Alcolumbre considerou como “infeliz” a fala do senador amazonense e que precisou se manifestar sobre o episódio, porque foi muito cobrado por senadoras e senadores a manifestar uma fala como dirigente do Senado Federal.

Não concordo com muitas posições ideológicas da ministra de Estado do Meio Ambiente em relação ao país, mas acho que meu querido colega senador Plínio Valério precisa fazer uma referencia com relação a essa fala, até mesmo justificar se foi uma fala equivocada, que não era aquilo que queria dizer, mas nós estamos vivendo um momento tão difícil, que uma fala de um senador da República, mesmo que de brincadeira ou com tom de brincadeira agride infelizmente o que nós estamos querendo para o Brasil”, disse o presidente do Senado.

Senador Plínio Valério teceu falas agressivas contra ministra Marina Silva (Divulgação/Senado)
Agressões

Em sua fala, Davi Alcolumbre também afirmou que falas como as do senador Plínio “são combustível para agressões que estão ocorrendo nas famílias brasileiras, na sociedade brasileira, onde está todo mundo se achando no direito de ofender e agredir todo mundo”.

Alcolumbre recebeu o apoio de senadoras da Bancada Femina, que foram interrompidas para a minifestação do presidente durante a defesa, pela senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB), de um projeto de lei que aumenta penas para crimes de violência psicológica contra a mulher.

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) afirmou que o Parlamento tem uma responsabilidade pública muito grande na sociedade brasileira, onde se vê uma verdadeira onda de ódio crescer. “E quando nós temos alguma fala proferida por um integrante do Congresso Nacional, ela se torna combustível para que essa onda se propague de uma forma avassaladora. Isso não pode ser admitido”, disse.

Para a senadora Teresa Leitão (PT-PE), a reprimenda do presidente do Senado é importante porque a violência contra a mulher ganha muitos contornos. “Se manifesta contra uma ministra de Estado, contra uma parlamentar, contra uma militante e contra qualquer mulher que, porventura, queira se posicionar ou, na visão machista e misógina, contrarie alguns interesses”, ressaltou.

Valério fez as declarações contra a ministra do Meio Ambiente quando foi receber uma premiação na cerimônia de entrega da Medalha do Mérito Comercial do Amazonas 2025, da Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio-AM), que aconteceu no último dia 13, em Manaus (AM).
Num discurso que ele considerou um desabafo, o senador começou com críticas à ministra a quem credita a responsabilidade pela não liberação das obras da BR-319, estrada que liga Manaus a Porto Velho (RO).

A Marina esteve na CPI das ONGs, seis horas e dez minutos, imagina o que é tolerar a Marina por seis horas e dez minutos sem enforcá-la (…) A minha mulher que está ali, a Ana, mandava mensagem o tempo todo, né, me instigando, ‘jogando gasolina’ e no final ela me disse: ‘Se você tivesse 10% da paciência que teve com a Marina, a gente nunca brigava’. Porque foi tudo o que ela quis, provocou, provocou, provocou e provocou o tempo inteiro, mas eu fiz com que ela falasse aquelas bobagens, uma é aquela que a gente quer uma estrada para passear. É… para passear também”, disse na ocasião.

Plínio reage ao presidente do Senado

Após alguns minutos da fala de Alcolumbre, Plínio Valério subiu à tribuna para se defender e disse ter visto com tristeza as palavras do colega, sem ter primeiro falado com ele para saber o seu lado. Ele justificou suas declarações por causa da falta de pavimentação da BR-319, que teria deixado Manaus sem oxigênio na pandemia o que teria contribuído para as mortes.

Lá pelas tantas, quando a gente falava da BR-319, que morreram milhares porque não teve oxigênio, ela disse em alto e bom tom: ‘Não vou liberar uma estrada para que vocês possam passear, só para passear’. Mesmo assim, o que eu disse a ela foi: ‘Olha, eu desafio se desmatar’. Foi tratada com toda a decência”, justificou.

Ao lembrar o discurso na Fecomércio, quando proferiu as palavras à Marina Silva, ele disse que não falaria outra vez o que disse, mas que não se arrepende. “Todo mundo riu, eu ri, brinquei. Foi brincadeira. Se você perguntar: ‘Você faria de novo?’. Não. ‘Mas se arrepende?’. Não, foi uma brincadeira. Agora, o que me encanta é o Senado ficar sensibilizado com uma frase e não se sensibiliza com milhares de mortos e não me ajudam aqui a licenciar a BR-319. Vão morrer milhares e ninguém fica sensibilizado”, declarou.

Mesmo com a reprimenda do presidente do Senado, Plínio disse que não se excedeu e também ressaltou que é cercado de mulheres em sua família e tem projetos de lei que beneficiam as mulheres, o que o descredenciaria de ser machista.

Ele reclamou ainda da falta de defesa pelo Senado por ter sido comparado a psicopatas pela ministra Marina Silva, que se manifestou em relação à violência de gênero que sofreu com as falas do parlamentar. Em sua avaliação, com isso, o jogo está empatado

O parlamentar amazonense obteve apoio dos colegas Márcio Bittar (União-AC) e Eduardo Girão (Novo-CE). “Em que pese palavras que às vezes a gente fala e não deveriam ser ditas dessa forma, que, de qualquer maneira, para o estado que eu represento, junto com o Petecão e o Alan, não tem prejuízo maior do que você proibir estrada, proibir ponte, proibir tirar petróleo, proibir tirar minério, proibir a vida lá dentro. E ela é a ícone disso que ela represente”, disse Bittar.

A senadora Eliziane Gama pediu que Plínio se desculpasse com a ministra Marina, o que foi recusado. O assunto começava a tomar conta do plenário com senadores querendo se posicionar e trazendo outras questões, envolvendo falas machistas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros assuntos.

Ao encerrar sua fala, Plínio se considerou um condenado no episódio por causa das palavras de Alcolumbre. “Quanto a pedir desculpas, eu não tenho pudor nenhum em pedir desculpas. Eu só vejo que… Eu estou certo, mas devo estar errado, meu amigo Girão, quando fala a mesma coisa… As mulheres aqui devem pensar a mesma coisa. Eu não quero pedido de desculpa da Marina por ter me chamado de sociopata”, ironizou.

Líder da bancada feminina critica postura

A líder da Bancada Feminina do Senado, Leila Barros (PDT-DF), levantou-se exaltada e falou que o que se viu é “a banalização da forma de tratamento com relação à mulher, seja ela ministra, seja ela uma diarista, é o como se trata”. Ela disse, ainda, que os políticos precisam dar o exemplo de “como tratar e se falar de mulher neste país”, principalmente dentro do Senado.

“E esta Casa tem que dar o exemplo – tem que dar o exemplo. Aqui todos os dias nós criticamos o comportamento de A, de B e de C. E, independentemente de ser o mês das mulheres, tem que se respeitar a mulher, seja em qualquer espaço, em qualquer lugar, e seja qualquer autoridade ou qualquer ser humano. Mulher tem que ser respeitada”, declarou.

A senadora diz não querer saber o contexto em que as pessoas falam contra as mulheres, “se é numa brincadeira, se é numa piada, numa roda de amigos ou se é fazendo um discurso”. “Não é normal. Não é normal esse tipo de comportamento! Isso é inaceitável! Figuras públicas, pessoas, seja um presidente, seja um Senador, seja um advogado, seja um mecânico; qualquer homem, qualquer cidadão neste país tem que respeitar a mulher. Não se pode tratar uma mulher como a gente anda tratando. Por favor!”, disse.

Leia mais: Plínio Valério mente sobre BR-319 e negacionistas colocam Amazônia em novo risco pandêmico
(*) Editado por Izaías Godinho



Fonte: Agência Cenarium

Amazonas Repórter

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