Portugal elege socialista António José Seguro como presidente, indicam prévias da apuração


 

António José Seguro, do Partido Socialista, foi eleito novo presidente da República, segundo pesquisas de boca de urna e dados preliminares da apuração. Com cerca de 70% dos votos contabilizados, Seguro aparece com 64% dos votos válidos, contra 36% de André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega.

O resultado confirma as projeções divulgadas após o fechamento das urnas, às 19h no horário local (16h em Brasília). Duas pesquisas de boca de urna indicaram vantagem ainda maior para o socialista, com percentuais entre 67% e 73%, enquanto Ventura oscilou entre 27% e 33%.

O segundo turno, considerado histórico, colocou frente a frente um candidato de perfil moderado e um nome associado ao discurso anti-imigração e anti-establishment. Pesquisas de intenção de voto já apontavam a vitória de Seguro, impulsionada, em parte, pela elevada rejeição a Ventura, estimada em cerca de 60% do eleitorado.

Aos 63 anos, António José Seguro tem longa trajetória no Partido Socialista e fez campanha com um discurso de conciliação, defendendo cooperação com o governo minoritário de centro-direita. Ele também recebeu apoio de lideranças tradicionais de diferentes espectros políticos, unidas no objetivo de conter o avanço do populismo no país.

Apesar da derrota, André Ventura, de 43 anos, mantém trajetória ascendente na política portuguesa. O crescimento do Chega reflete o fortalecimento da extrema direita em Portugal e em outros países da Europa. Em 2025, o partido tornou-se a segunda maior força no Parlamento, atrás apenas da aliança governista de centro-direita.

Portugal adota o sistema semipresidencialista, no qual o primeiro-ministro concentra a condução do governo, enquanto o presidente exerce funções institucionais e de representação, com possibilidade de intervenção em momentos de crise. O cargo vinha sendo ocupado há quase dez anos por Marcelo Rebelo de Sousa, conhecido pelo perfil conciliador.

A eleição enfrentou contratempos em algumas regiões do país. Tempestades que atingem Portugal nas últimas semanas levaram ao adiamento da votação em municípios do sul e do centro, afetando cerca de 37 mil eleitores — aproximadamente 0,3% do total. Nessas localidades, o segundo turno foi remarcado para a semana seguinte.

Durante a votação, Ventura criticou a manutenção da data das eleições, alegando desrespeito às populações atingidas pelas chuvas. Seguro, por sua vez, manifestou solidariedade às famílias afetadas, mas reforçou a importância da participação popular, destacando que a escolha do presidente para os próximos cinco anos é uma decisão fundamental para o futuro do país.

No fim de janeiro, a tempestade Kristin deixou cinco mortos, provocou destruição e interrompeu o fornecimento de energia para quase meio milhão de pessoas em Portugal.





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