O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), considerado a prévia da inflação, registrou alta de 0,25% em dezembro e encerrou 2025 com variação acumulada de 4,41%, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítisca) nesta terça-feira (23). O resultado representa uma desaceleração em relação a 2024, quando o índice havia fechado em 4,71%, indicando um ano de inflação mais controlada, embora ainda marcada por pressões pontuais.
No último trimestre do ano, o IPCA-E — indicador que acumula o IPCA-15 trimestralmente — ficou em 0,63%, reforçando o movimento de menor intensidade inflacionária no fim de 2025.
Transportes lideram altas no mês de dezembro
Entre os nove grupos pesquisados, Transportes foi o principal responsável pela alta mensal, com variação de 0,69% e impacto de 0,14 ponto percentual no índice. O destaque ficou por conta das passagens aéreas, que subiram 12,71%, refletindo a sazonalidade do período de férias e o aumento da demanda.
Também contribuíram para o avanço os preços do transporte por aplicativo, que tiveram alta expressiva, enquanto os combustíveis apresentaram comportamento misto, com aumento no etanol e na gasolina, e recuos no diesel e no gás veicular. Em contrapartida, medidas de gratuidade e redução tarifária em algumas capitais ajudaram a conter os preços do transporte público urbano.
Vestuário e serviços mantêm pressão
O grupo Vestuário também apresentou alta de 0,69%, impulsionada principalmente pelos aumentos nas roupas infantis, femininas e masculinas, movimento típico do fim do ano. Já Despesas Pessoais desacelerou em relação a novembro, mas ainda assim avançou 0,46%, com pressão de serviços como cabeleireiros, empregados domésticos e pacotes turísticos, apesar da forte queda nos preços de hospedagem.
O comportamento desses grupos reforça o papel dos serviços como um dos principais focos de pressão inflacionária, mesmo em um cenário de inflação geral mais contida.
Alimentação mostra alívio no domicílio
O grupo Alimentação e bebidas, de maior peso no índice, teve variação moderada de 0,13% em dezembro. A alimentação no domicílio registrou queda pelo sétimo mês consecutivo, influenciada principalmente pelos recuos expressivos de itens como tomate, leite longa vida e arroz.
Por outro lado, a alimentação fora do domicílio manteve trajetória de alta, com aumentos nos preços de lanches e refeições, refletindo custos mais elevados de serviços e mão de obra.
Habitação é o grande destaque do ano
No acumulado de 2025, o grupo Habitação apresentou a maior variação anual (6,69%) e o maior impacto no IPCA-15, com destaque absoluto para a energia elétrica residencial, que acumulou alta de 11,95% e respondeu pelo maior impacto individual do índice no ano.
Esse resultado evidencia o peso dos preços administrados e dos custos de energia no orçamento das famílias, especialmente nas faixas de renda mais baixas.
Diferenças regionais
Regionalmente, Porto Alegre liderou a alta de preços em dezembro, com avanço de 0,50%, influenciada principalmente pelo aumento das passagens aéreas e da energia elétrica. Já Belém apresentou o menor resultado, com queda de 0,35%, puxada por reduções expressivas na hospedagem.
No acumulado do ano, as maiores variações foram observadas em São Paulo, Porto Alegre e Brasília, indicando que os efeitos da inflação seguem distribuídos de forma desigual pelo país.
Apesar da desaceleração em relação ao ano anterior, os dados do IPCA-15 mostram que a inflação de 2025 não foi homogênea. A pressão concentrada em energia elétrica, transportes e serviços sugere desafios persistentes para o controle do custo de vida, mesmo em um ambiente de inflação geral mais baixa.
Resumo geral da inflação
- O IPCA-15 subiu 0,25% em dezembro de 2025.
- O acumulado de 2025 foi de 4,41%, abaixo do registrado em 2024 (4,71%).
Grupos com maior impacto em dezembro
Transportes:
- ↑Maior variação mensal (0,69%) e maior impacto (0,14 p.p.).
- ↑Destaque para passagens aéreas (+12,71%) e transporte por aplicativo (+9,00%).
- ↑Combustíveis tiveram alta moderada, com ↓quedas em diesel e gás veicular.
- ↑Vestuário: alta de 0,69%, puxada por roupas infantis, femininas e masculinas.
Despesas Pessoais:
- ↓Desaceleração para 0,46%, com queda em hospedagem, mas pressão de serviços pessoais e turismo.
Grupos com queda em dezembro:
- ↓Artigos de Residência: queda de 0,64%, influenciada por eletrodomésticos e eletrônicos.
- ↓Saúde e Cuidados Pessoais: leve recuo.
- ↓Reduções em tarifas de ônibus, metrô e trem, devido a gratuidades e reduções tarifárias em algumas capitais.
Alimentação e bebidas:
- ↑Variação moderada de 0,13% em dezembro.
- ↓Alimentação no domicílio: queda pelo sétimo mês consecutivo, com destaque para tomate, leite e arroz.
- ↑Altas: carnes e frutas.
- ↑Alimentação fora do domicílio: alta de 0,65%, puxada por lanche e refeição.
Destaques do ano de 2025:
Habitação foi o grupo com:
- Maior variação anual (6,69%)
- Maior impacto no índice (1,01 p.p.)
- Energia elétrica residencial teve o maior impacto individual do ano (11,95%).
- Alimentação e bebidas foi o segundo maior impacto anual (0,77 p.p.), com forte peso de refeições fora de casa, café moído e carnes.
Diferenças regionais:
- ↑Porto Alegre teve a maior alta em dezembro (0,50%), influenciada por passagens aéreas e energia elétrica.
- ↓Belém registrou a maior queda (-0,35%), com forte recuo na hospedagem.
No acumulado do ano, os maiores índices foram:
- São Paulo (4,94%)
- Porto Alegre (4,87%)
- Brasília (4,61%)




