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Privatização dos Correios não está ‘em debate’


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na quarta-feira (26) que o governo do presidente Lula (PT) não discute a privatização dos Correios. Em entrevista à GloboNews, Haddad ressaltou, no entanto, que qualquer apoio do Tesouro Nacional a um plano de resgate da estatal dependerá da apresentação de uma proposta de reestruturação “consistente” pela atual diretoria da empresa.

Segundo o ministro, ele só tomou conhecimento recentemente do quadro financeiro real da estatal, que enfrenta um déficit bilionário. “Qualquer solução para esse caso vai passar necessariamente por um plano de reestruturação. Não há como o Tesouro Nacional pensar em algo que não passe por um plano aprovado pelo Tesouro Nacional”, afirmou.

Crise financeira e troca de direção

O cenário financeiro dos Correios tornou-se crítico: no primeiro semestre de 2025, a estatal registrou prejuízo de R$ 4,37 bilhões, um crescimento de 222% em relação ao mesmo período de 2024, quando a perda foi de R$ 1,35 bilhão. O resultado coloca os Correios como principal responsável pelo déficit das empresas estatais brasileiras.

A liderança da estatal também passou por mudanças recentes. O advogado Fabiano Silva, nomeado por Lula para a presidência no início do terceiro mandato, deixou o cargo em julho de 2025. Em setembro, o economista Emmanoel Schmidt Rondon assumiu definitivamente a presidência, após um período interino.

Haddad destacou que estudos encomendados sobre serviços postais no mundo mostram que é raro países abrirem mão dessas operações. Ele citou a tendência internacional de expandir os serviços postais para áreas financeiras, previdenciárias e securitárias, visando dar sustentabilidade à universalização do serviço.

Plano de reestruturação e impacto fiscal

A estatal trabalha com um plano de reestruturação que prevê um empréstimo de R$ 20 bilhões, aprovado internamente em novembro e aguardando aval do Ministério da Fazenda e do Tesouro Nacional. O ministro reforçou que a equipe econômica só dará sinal verde quando houver segurança sobre a execução do plano. “Só vamos aprovar o plano se ele for apresentado de forma consistente”, disse.

Dados do Tesouro Nacional indicam que os Correios integram a lista de estatais com risco fiscal relevante, aumentando a pressão por ajustes na governança e nas contas da empresa. Em contraponto, o ex-diretor financeiro e ex-presidente interino Heglehyschynton Valério Marçal afirmou recentemente que não há solução para recuperar as contas da empresa, e que a quebra é “inevitável”.

“Não é mais possível resolver os problemas dos Correios e ele vai quebrar no colo da União. É com muita tristeza que vejo a empresa nessa situação”, afirmou Marçal durante fala na sessão da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado. Marçal comandou a estatal no período de transição.

“Pauta-bomba” no Senado

Haddad também comentou o PLP 185, que vem sendo chamado de “pauta-bomba”, aprovado no Senado na terça-feira (25) por 57 votos a zero, e classificou o projeto como retaliação política à indicação de Jorge Messias, da AGU (Advocacia-Geral da União), para o STF (Supremo Tribunal Federal).

O ministro afirmou que não acredita que o governo judicializará a questão das aposentadorias de agentes de saúde, mas ressaltou a necessidade de garantir sustentabilidade fiscal.

“É possível construir espaço fiscal para teses defendidas pelo Congresso, mas há que dialogar. Gostaria que meu sucessor na Fazenda não tivesse que enfrentar os mesmos problemas que eu”, disse Haddad, destacando o desafio de administrar gastos públicos em meio a déficits persistentes.

A proposta agora segue para a Câmara e, se confirmada sem alterações, será enviada à sanção de Lula. No Planalto, porém, a avaliação é de que um veto parcial ou total pode ser inevitável diante do elevado custo fiscal da medida.

Estimativas preliminares do Ministério da Previdência apontam um impacto de cerca de R$ 100 bilhões em dez anos, somando gastos da União, estados e, principalmente, municípios. Prefeituras com regime próprio de previdência devem concentrar a maior parte da despesa — motivo pelo qual o projeto passou a ser chamado de “pauta-bomba” por técnicos e economistas.





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