Privatizações de Tarcísio: falhas em trens de SP crescem 27%


Por Gabriela Carvalho, Lucas Krupacz, Maria Teresa Cruz e Nara Lacerda – Brasil de Fato

As falhas nas linhas de trens e metrôs em São Paulo cresceram 27% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. A média hoje passa de uma ocorrência por dia, segundo levantamento da TV Globo.

De janeiro a junho, foram registradas 205 falhas, número superior às 161 ocorrências registradas no mesmo período do ano passado. As linhas privatizadas foram as que tiveram mais crescimento das falhas. Apesar disso, a Linha 3-Vermelha do Metrô foi a que mais registrou problemas no período.

A linha 7-Rubi da CPTM, por exemplo, teve um aumento de 600% no número de falhas em período que coincide com o processo de privatização, que começou em agosto de 2025.

O presidente do Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo, Dagnaldo Gonçalves Pereira, vincula o aumento de falhas ao processo de privatização. “Estou há 38 anos de companhia, sou operador de trem da linha-3 vermelha. Eu nunca vi um descarrilamento no metrô de São Paulo nas empresas estatais. Depois da privatização das linhas da CPTM, nós tivemos dez descarrilamentos”, alerta em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Pereira explica que existe uma diferença importante entre as falhas das linhas privatizadas, geralmente de impactos maiores, e as ocorrências nas linhas estatais, como a que ele trabalha. Além disso, o sindicalista destaca que há falta de investimento em pessoal.

“Isso [cenário de falhas] está muito ligado também à questão da falta de funcionários. Nós tivemos uma redução de quadro de funcionários no último período na ordem de 30% a 40%. Há estações que operam com apenas um funcionário”, conta.

Dagnaldo Gonçalves Pereira reforça que os serviços de transporte não deveriam passar por privatização, política bastante ampliada na gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). “O maior exemplo é o que está acontecendo com a Sabesp. Problemas sempre existem, mas o serviço era prestado com mais eficiência. Hoje em dia, com a privatização, quando tem vazamento, a obra causa morte e deixa gente desabrigada”, afirma.

“As linhas do trecho leste tiveram um aumento significativo de falhas depois que foram entregues à iniciativa privada. A iniciativa privada está aqui para ganhar dinheiro. Eles vão investir para ganhar. Isso causa a falta de manutenção preventiva, por exemplo. Há linhas estatais de 40 anos que não têm falhas como as que têm sido vistas inauguradas pela iniciativa privada”, menciona.





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