Produtividade medida em tokens – ICL Notícias


Algumas empresas de tecnologia passaram a avaliar funcionários pelo número de tokens que consomem no trabalho. Token é a unidade de medida das ferramentas de inteligência artificial, cada pergunta ou pedido que você faz para um chatbot queima uma quantidade de tokens.

Segundo esta lógica, quem gasta mais tokens trabalha mais. Uma métrica fácil de burlar, basta inflar o número com usos artificiais. Por isso, já entrou em revisão e o motivo principal é o preço. Esse fingimento todo ficou caro demais e destaca uma fixação em medir trabalho pela movimentação visível e não pelo que de fato sai das mãos de alguém.

Professor de ciência da computação na Georgetown e autor de livros sobre foco no trabalho, Cal Newport chama isso de pseudo-produtividade. Como ninguém sabe medir direito o valor real do trabalho intelectual, criamos um atalho ruim e passamos a contar o que conseguimos contabilizar Número de e-mails respondidos, atividade no Slack, reuniões, listas intermináveis de tarefas.

O profissional atua sua ocupação em vez de entregar algo do qual se orgulhe. Como Newport resume, tratamos movimento como se fosse progresso. A conta vem em exaustão, dispersão e queda de qualidade.

O antídoto seria o que Newport chama de produtividade lenta. Isso não tem a ver com trabalhar pouco ou abrir mão de ambição, a medida passa a ser o valor entregue ao longo do tempo e não a correria do dia. Para chegar lá, devemos assumir menos tarefas simultâneas.

Nosso cérebro deixa um resíduo de atenção a cada troca de atividade e parte da mente segue presa no que estava fazendo antes. O caminho é respeitar ciclos e alternar fases intensas com fases de recuperação, indo na contramão da expectativa de viver no limite o tempo inteiro. Nossa obsessão deve ser por aquilo que gera valor de verdade e proteger esse núcleo do excesso de reunião e tarefa inflada.

No episódio desta semana do RESUMIDO, relembrei uma sexta-feira em que, já cansado, contei com quantas pessoas já tinha falado até o meio-dia. Passava de cento e cinquenta, entre grupos de WhatsApp, e-mails e mensagens de trabalho.

Lembrei de uma reportagem de 2005 que mostrava uma adolescente no MSN como espanto da época, porque conversava com quatro amigas ao mesmo tempo. Deu saudades desse ritmo “mais lento”.





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