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Por Cleber Lourenço
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição pedindo investigação da conduta do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por suposta tentativa de beneficiar Jair Bolsonaro. Segundo o documento, Tarcísio teria telefonado para ministros do STF solicitando autorização para que Bolsonaro viajasse aos Estados Unidos, em meio a pressões políticas articuladas pelo ex-presidente americano Donald Trump.
A petição foi protocolada no âmbito da Ação Penal 2668, que trata dos atos golpistas de 8 de janeiro, e dirigida ao ministro Alexandre de Moraes. Lindbergh argumenta que a iniciativa de Tarcísio se insere em uma estratégia de chantagem internacional para forçar a anistia de condenados pelos ataques às instituições, aproveitando-se de ameaças econômicas feitas por Trump.
De acordo com a peça, o gesto do governador configura ingerência indevida sobre o Judiciário e potencial obstrução da Justiça. Para o parlamentar, Tarcísio teria usado o cargo para favorecer Bolsonaro, réu em medidas cautelares do STF, tentando permitir sua saída do país mesmo diante de sinais de risco de evasão já reconhecidos.

O documento também reforça um pedido já feito para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste com urgência sobre a necessidade de impor monitoramento eletrônico a Bolsonaro, a fim de evitar fuga e garantir a eficácia das decisões da Corte.
Lindbergh sustenta ainda que o episódio com Tarcísio se soma a outros movimentos da mesma engrenagem, como a estadia de Bolsonaro na embaixada da Hungria em 2024 e as viagens recentes de aliados como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, além da carta enviada por Trump a Lula condicionando relações bilaterais à anistia.
Tarcísio no foco
A iniciativa do PT complementa a ação já apresentada ao STF pelo grupo Prerrogativas, também questionando a articulação internacional em favor de Bolsonaro. A ação do grupo foi revelada com exclusividade pelo ICL Notícias.
Na petição, Lindbergh afirma que não se trata de criminalizar atividade política legítima, mas de proteger a jurisdição penal do STF diante de interferências indevidas, inclusive por parte de autoridades públicas.
O parlamentar pede que os fatos sejam juntados à Ação Penal 2668, que a PGR seja instada a se manifestar sobre o monitoramento de Bolsonaro e que o Ministério Público seja oficialmente comunicado para investigar Tarcísio por possíveis crimes de obstrução da Justiça, abuso de autoridade e colaboração com organização criminosa transnacional.
Fonte: ICL Notícias




