Lançado em maio deste ano pelo governo do presidente Lula (PT), o Novo Desenrola Brasil beneficiou 10% dos entrevistados pela pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10). No total, 69% dos brasileiros entrevistados disseram estar endividados, sendo 23% com muitas e 46% com poucas dívidas.
O levantamento mostra que 88% dos entrevistados disseram não ter sido alcançados pelo programa. Outros 2% não souberam responder.
A nova fase da iniciativa prevê renegociação de dívidas com descontos e possibilidade de troca por condições mais vantajosas. O público-alvo são brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou na terça-feira (9) que mais de 6 milhões de pessoas e famílias renegociaram dívidas bancárias no âmbito do Novo Desenrola.
Em entrevista ao UOL, o titular da Fazenda estimou que o total de beneficiados deve chegar a 10 milhões ainda no mês de junho. De acordo com os dados da pasta, 4 milhões de pessoas que tinham dívidas até R$ 100 já foram desnegativadas, enquanto 1,1 milhão quitou suas dívidas com as instituições financeiras à vista, com desconto de 80%.
Alcance limitado e baixa percepção pública
Os dados da Quaest sugerem que, apesar da retomada do programa, sua percepção de alcance ainda é restrita entre a população endividada.
Ao mesmo tempo, o nível de conhecimento sobre a iniciativa ainda é moderado: 61% disseram já ter ouvido falar do Desenrola 2.0, ante 39% que desconhecem o programa.
A pesquisa também revela uma forte polarização na avaliação do Desenrola. Entre eleitores identificados como lulistas, 70% consideram a iniciativa uma boa ideia. Já entre bolsonaristas, o índice cai para 33%.
Entre outros grupos, a avaliação varia de forma significativa:
- Esquerda não lulista: 73% consideram boa ideia
- Independentes: 51% veem positivamente o programa
- Direita não bolsonarista: apenas 29% avaliam como boa ideia
Os dados indicam que a percepção sobre a política pública tende a acompanhar a orientação ideológica dos entrevistados, com maior apoio entre eleitores de esquerda e menor adesão entre os de direita.
Endividamento recua entre parte da população
Apesar do cenário elevado de endividamento geral, o levantamento aponta leve melhora na percepção individual das dívidas em relação a maio.
Atualmente:
- 23% afirmam ter muitas dívidas, queda em relação aos 28% registrados no mês anterior
- 46% dizem ter poucas dívidas, número praticamente estável
- 30% declaram não ter dívidas, alta de três pontos percentuais
A análise por faixa de renda mostra variações importantes. Entre os que recebem até dois salários mínimos, o percentual de pessoas sem dívidas subiu de 23% para 27%. Já entre os que ganham acima de cinco salários mínimos, houve aumento tanto da parcela sem dívidas (37%) quanto daquelas com muitas dívidas (26%).
Metodologia
O levantamento da Quaest foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.



