Por Gabriel Gomes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto no primeiro turno, com 39% das intenções de voto, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5). O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, com 30%.
Apesar da liderança de Lula, a distância para Flávio diminuiu em relação ao levantamento anterior. Em julho, o petista tinha 40%, enquanto o senador registrava 28%. Com as oscilações, a vantagem de Lula passou de 12 para nove pontos percentuais.
Na sequência aparecem Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), empatados com 4% cada. Romeu Zema (Novo) tem 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) registram 1% cada. Os demais candidatos não atingiram 1% das intenções de voto.

A pesquisa Genial/Quaest foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.
Primeiro turno
Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula (PT) aparece com 39% das intenções de voto, contra 40% em julho. Flávio Bolsonaro (PL) tem 30%, ante 28% no levantamento anterior.
Renan Santos (Missão) registra 4%, contra 3% em julho, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) mantém 4%. Romeu Zema (Novo) tem 2%, mesmo percentual da pesquisa anterior. Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) aparecem com 1% cada, sem alteração em relação a julho. Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Leonardo Avalanche (PRTB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram.
Entre os entrevistados, 10% estão indecisos, contra 11% em julho, enquanto 8% afirmam que pretendem votar em branco ou nulo ou não comparecer às urnas.
A pesquisa também mostra que aumentou o percentual de eleitores que consideram definitiva a escolha do candidato. Agora, 69% afirmam que não pretendem mudar de candidato até a eleição, contra 65% em julho. Outros 31% dizem que ainda podem mudar de opinião.
Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, 51% não souberam ou não quiseram indicar um nome, contra 54% no levantamento anterior. Lula foi citado espontaneamente por 25% dos entrevistados, ante 26% em julho, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 14% para 18%.
Segundo turno
A Quaest também testou quatro cenários de segundo turno, e Lula aparece numericamente à frente em todos. No confronto direto com Flávio Bolsonaro, o presidente tem 44% das intenções de voto, contra 39% do senador. Em julho, os percentuais eram de 45% e 37%, respectivamente.

Contra Ronaldo Caiado, Lula registra 45%, enquanto o governador de Goiás aparece com 37%. No cenário contra Romeu Zema, o petista tem 46%, ante 34% do governador de Minas Gerais. Já no confronto com Renan Santos, Lula aparece com 45%, contra 35% do candidato do Missão.
Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, o crescimento de Flávio Bolsonaro está relacionado a uma reorganização do campo político de direita e à recuperação do apoio de eleitores antipetistas. “O que explica essa recuperação? Minha leitura é que a direita se reorganiza e o eleitor anti-petista voltou a considerar Flávio. No 2º turno, Flávio sobe de 74% para 81% na direita não bolsonarista e de 91% para 95% entre bolsonaristas”, afirmou.
Segundo Nunes, um dos primeiros movimentos dessa reorganização foi a reaproximação pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro. A maioria dos entrevistados, 59%, avaliou positivamente a reconciliação. Entre eleitores de direita não bolsonarista, a avaliação positiva chega a 88%, enquanto entre bolsonaristas alcança 90%.
A pesquisa também aponta que cresceu a percepção de que Michelle pode ter papel decisivo na campanha de Flávio. Agora, 46% dos entrevistados afirmam que o apoio dela aumenta as chances de vitória do senador, contra 38% em julho. Entre os bolsonaristas, o percentual passou de 45% para 79%. Na parcela identificada como direita não bolsonarista, subiu de 53% para 70%.
“A primeira peça da reorganização da direita foi a reconciliação pública com Michelle Bolsonaro. Para 59%, as pazes foram positivas. Essa avaliação chega a 88% na direita não bolsonarista e a 90% entre bolsonaristas”, disse Felipe Nunes.

O CEO da Quaest também apontou como segundo elemento desse processo a reação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai. Para 52% dos entrevistados, a medida foi errada, enquanto 41% consideram a decisão correta. A percepção de que houve exagero na medida é ainda maior entre os eleitores de direita: chega a 83% entre os não bolsonaristas e a 92% entre os bolsonaristas. Entre os eleitores independentes, o índice é de 50%.
Rejeição
Na avaliação de rejeição, Flávio Bolsonaro apresenta o maior índice entre os candidatos, com 54%. Lula aparece em seguida, com 52%. Em julho, os percentuais eram de 57% e 50%, respectivamente. A rejeição corresponde à parcela dos entrevistados que afirma conhecer o candidato, mas declara que não votaria nele.
Ronaldo Caiado tem 34% de rejeição, seguido por Romeu Zema, com 32%, Cabo Daciolo, com 28%, e Renan Santos, com 20%. Augusto Cury registra 16%, Samara Martins, 12%, Edmilson Costa, 10%, Hertz Dias e Leonardo Avalanche, 9% cada, e Clariana Barão, 6%.
Aprovação do governo
A avaliação do governo Lula permaneceu estável em relação a julho. 48% dos entrevistados afirmam aprovar a administração federal, enquanto 47% desaprovam. Outros 5% não souberam ou não quiseram responder. Na avaliação geral da gestão, 36% consideram o governo positivo, 36% negativo e 26% regular.
Apesar da estabilidade na aprovação, aumentou o percentual de entrevistados que consideram que Lula não deveria permanecer no cargo por mais quatro anos. O índice passou de 51% para 55%. Por outro lado, 41% afirmam que o presidente merece um novo mandato. Em julho, eram 45%.

Percepção sobre o país e a economia
Para 55% dos entrevistados, o Brasil está seguindo na direção errada. Em julho, eram 51%. Outros 38% avaliam que o país está no caminho certo.
A percepção sobre as notícias relacionadas ao governo também piorou. O percentual dos que afirmam ter visto mais notícias negativas passou de 40% para 44%, enquanto os que dizem ter visto mais notícias positivas caíram de 33% para 29%.
Sobre a economia brasileira nos últimos 12 meses, 43% afirmam que ela piorou, mesmo percentual registrado em julho. Para 35%, a situação permaneceu igual, enquanto 19% avaliam que houve melhora.
No caso do Desenrola, a percepção de que o programa é uma boa ideia caiu de 55% para 47%. O percentual de entrevistados que afirma ter recebido benefício direto também recuou, de 12% para 10%. Entre os beneficiados, a parcela que relatava impacto significativo do programa sobre a renda caiu de 35% para 26%.
Movimento semelhante aparece na avaliação da isenção do Imposto de Renda. O percentual dos entrevistados que afirma ter sido beneficiado pela medida passou de 32% para 30%. Entre essas pessoas, aumentou de 39% para 46% a parcela que diz não ter sentido diferença na renda. Já aqueles que perceberam um aumento significativo na renda caíram de 24% para 21%.





