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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Renato Freitas atribui briga a ódio político; vídeo mostra que deputado levou primeiro tapa


Por José Marcos Lopes – Plural Curitiba

O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) atribuiu ao clima de ódio político no país e aos constantes ataques à esquerda a briga ocorrida na manhã desta quarta-feira (19 de novembro) no Centro de Curitiba. Ele teve o nariz quebrado e falou com a imprensa depois do atendimento médico, em uma clínica no bairro Portão. Em seguida, foi registrar um boletim de ocorrência. Um vídeo mostra que o primeiro a desferir um golpe foi o homem vestido de preto, ainda não identificado.

Segundo Freitas, ele, um assessor e uma amiga passavam pelo cruzamento entre as ruas Vicente Machado e Visconde do Rio Branco, no Centro de Curitiba, após um exame médico, quando um carro quase os atropelou.

“Ele (o motorista) abriu o vidro e perguntou por que eu estava olhando. Aí ele parou o carro e já veio pronto para a batalha. Meu amigo foi pra cima dele, mas saímos dali. Só que ele veio de novo, filmando com amigos dele”, disse o deputado. “Chegou perto me injuriando, querendo que eu agredisse ele”.

O vídeo mostra que o homem chegou perto dos dois, apesar dos pedidos para não se aproximar. A certa altura, Renato o empurrou e foi agredido com um tapa na cabeça. Freitas pediu para o assessor não se intrometer. “Tentei manter a distância e dei chutes. Mas eu abri a guarda e ele me acertou no nariz. Era um ódio muito grande que ele tinha”, disse o deputado.

De acordo com Renato Freitas, só houve intervenção para o confronto acabar quando ele imobilizou o agressor. “Quando a gente começou a brigar e ele me acertou, ninguém separou. As pessoas ficaram esperando pra que ele me acertasse outras vezes. Até o momento que eu consegui imobilizar ele, cessar a agressão. Algumas pessoas que estavam do lado dele vieram e separaram”.

No vídeo divulgado nas redes sociais pela manhã, não aparece o início da discussão – o vídeo foi editado e aparece apenas o momento em que o deputado chuta o agressor e o soco desferido em seguida. Veja a discussão no vídeo.

Ódio político contra Renato Freitas

O deputado citou as constantes falas de deputados de extrema direita, que costumam dizer que ele e a esquerda “apoiam bandidos”, como principal motivação para a briga. “Para mim foi uma motivação, em primeiro lugar, racial. E em segundo, por consequência, ideológica, porque ele me chamou de ‘vereadorzinho do PSOL’, quando na verdade eu sou deputado pelo PT. Pelo jeito, esse é o espectro que motivou ele”.

“Ali envolvia esse ódio ideológico e também teve como motivador o ódio racial. Quase nenhuma das vezes os racistas, quando praticam atos racistas, se identificam como racistas.”

Renato Freitas, deputado estadual

Véspera do Dia da Consciência Negra

Para Renato Freitas, a agressão na véspera do Dia da Consciência Negra (20 de novembro) “diz muito sobre o Brasil”.

“As pessoas se sentem cada vez mais autorizadas a injuriar, a difamar e a agredir não só as pessoas negras de modo geral, mas a gente que se coloca como representante, ou seja, a gente que compra as brigas que têm que ser compradas. A gente fica em evidência e sofre ataques cotidianos na Assembleia, por exemplo. Isso diz muito sobre o Brasil”.

Renato Freitas, deputado estadual

Pedido de cassação

Logo após a divulgação dos vídeos nas redes sociais, Willian Rocha, que é filiado ao partido Missão, anunciou que vai representar contra Renato Freitas no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná e pedir a cassação de seu mandato. Rocha é militante do MBL (Movimento Brasil Livre), grupo conhecido por provocar personalidades e pessoas nas ruas para divulgar os vídeos nas redes sociais (o Missão foi criado pelo MBL).

O episódio de provocação do MBL mais conhecido ocorreu em abril de 2024, quando um ex-integrante do grupo (já expulso) ofendeu a mãe do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) na Câmara dos Deputados. Depois da reação de Braga, que expulsou o provocador da Câmara, a extrema direita iniciou um movimento para cassar o mandato do deputado.

Até maio deste ano, Willian Rocha tinha um cargo no gabinete do vereador de Curitiba João Bettega (União). O vereador foi expulso do MBL sob a acusação de “publicar vídeos idiotas”, em que provoca pessoas supostamente “de esquerda” – entre eles um adolescente autista, o que rendeu uma condenação ao parlamentar.

Rocha também participou da gravação de “vídeos idiotas” ao lado de Bettega. Em maio de 2024, ele estava com Bettega provocando professores em greve na frente da sede da Secretaria de Estado da Educação, no bairro Guaíra.

Willian Rocha (de barba, atrás de João Bettega), militante do MBL que pediu cassação de Renato Freitas: provocação a professores estaduais durante greve em maio de 2024 (Foto: José Marcos Lopes/Plural)

“Os abutres já estão farejando a agressão, tentam tirar algum proveito político de qualquer coisa ruim. Mas acredito que não terá sucesso. A Assembleia já teve pelo menos dois deputados assassinos que nunca perderam o mandato”.

Renato Freitas, deputado estadual

Reações

O diretório estadual do PT no Paraná repudiou o ataque ao deputado. “O ataque não foi um fato isolado: ele se insere em um contexto histórico de racismo estrutural, violência política e tentativas recorrentes de silenciar lideranças negras que ousam ocupar espaços de poder”, afirmou o partido. “Repudiamos qualquer forma de violência, e denunciamos o caráter racista que atravessa este episódio. Não aceitaremos que agressões motivadas pelo ódio, pela intolerância e pelo preconceito sejam normalizadas ou tratadas como meras ‘confusões’”.

Em nota conjunta, entidades de defesa dos direitos humanos manifestaram apoio ao deputado. “É inaceitável que, às vésperas de celebrarmos o Dia da Consciência Negra, um representante legitimamente eleito pelo povo do Paraná, e notório defensor dos direitos humanos e da igualdade racial, seja vítima de um ataque tão covarde e carregado de ódio”, diz a nota. “O relato de que o agressor proferiu insultos de cunho político-ideológico e racial demonstra o caráter perigoso e extremista que motivou a violência. A agressão a Renato Freitas não é apenas um ataque a um indivíduo, mas sim uma afronta direta à democracia, à liberdade de expressão e à representatividade política no estado”.

A nota é assinada por 16 entidades:

1 – Coletivo Desmilitariza – Filhos Roubados, Mães Dizimadas.
2 – Abramd (Associação Brasileira de Estudos Multidisciplinares Sobre Drogas)
3- Desencarcera Londrina
4- Coletivo filhos de Dandara
5 – Instituto Arco Íris de Direitos Humanos (Florianópolis).
6 – Instituto Rede Viva (Florianópolis)
7 – MNE/PR – Movimento Negro Evangélico do Paraná
8 – MPS (Movimento Popular Socialista)
9 – Setorial Nacional dos Correios PSOL
10 – Centro Palmares de Estudos e Assessoria por Direitos
11 – Fened (Federação Nacional dos Estudantes de Direito)
12 – ABJD – Associação Brasileira de Juristas pela Democracia
13 – Instituto Coisas de Gente Preta.
14 – PCN (Partido da Causa Negra)
15 – Frente de Organização dos Trabalhadores (FORT)
16 – Movimento da Luta Antimanicomial PR





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