Resistências à Messias fazem aliados do presidente estudarem alternativas


Por Cleber Lourenço

A tarde deste domingo (30) marcou uma virada na crise envolvendo a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Em uma nota pública de tom incomumente duro, o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, afirmou ser “nítida a tentativa de setores do Executivo de criar a falsa impressão, perante a sociedade, de que divergências entre os Poderes são resolvidas por ajuste de interesse fisiológico, com cargos e emendas”. O senador classificou a estratégia como ofensiva ao Congresso e reforçou que “nenhum Poder deve se julgar acima do outro”, ressaltando que o Senado tomará sua decisão “livre, soberana e consciente”.

A manifestação escancarou o desgaste acumulado pela indicação antes mesmo do início formal da tramitação. Enquanto o governo evita enviar a mensagem oficial ao Senado, Messias tenta, sem sucesso até agora, reduzir resistências. Nos últimos dias, percorreu gabinetes, deu declarações conciliatórias e defendeu, em carta enviada a Alcolumbre, que pretende dialogar com todos os parlamentares: “Buscarei conversar diretamente com cada um dos senadores e senadoras, ouvindo atentamente suas preocupações com a Justiça de nosso país.”

As reações públicas mostram um ambiente dividido. O senador Wellington Dias (PT-PI) afirmou, em entrevista à CNN Brasil no dia 24, que Messias tem “carreira extraordinária” e mantém “elo de diálogo com Câmara e Senado”. Foi um dos raros movimentos explícitos da base para segurar a indicação. No outro extremo, parlamentares da oposição voltaram a contestar a atuação da AGU e o momento político da indicação. Entre governistas, há quem admita que a construção precisa ser “amadurecida” antes de qualquer sabatina — uma sinalização de que o clima segue longe do ideal.

A questão da representatividade também pesa. Senadoras e deputadas da base reafirmaram nas últimas semanas que o governo deveria priorizar uma mulher para o STF, crítica que ganhou intensidade após o anúncio coincidir com o Dia da Consciência Negra. A pressão externa acabou se somando às disputas internas.

Um novo nome começa a surgir no Planalto

Com a crise se ampliando, uma alternativa silenciosa começou a ganhar corpo dentro do próprio governo. Ministros e assessores próximos ao presidente passaram a discutir, ainda de forma preliminar, o nome da ministra Simone Tebet como possível solução caso a indicação de Messias seja rejeitada ou se torne inviável. A avaliação é que Tebet reúne trânsito no Senado, boa recepção entre diferentes alas e atende à pressão crescente por representatividade no Supremo.

A discussão, segundo integrantes do governo, não envolve substituição imediata e só avançaria se ficar evidente que Messias não terá votos suficientes. Interlocutores do Planalto afirmam, no entanto, que o presidente Lula descarta completamente a possibilidade de indicar Rodrigo Pacheco — especialmente após a nota publicada por Alcolumbre neste domingo, vista internamente como um divisor de águas no processo.

Enquanto isso, a mensagem oficial ao Senado segue sem previsão de envio, e a CCJ permanece sem data para a sabatina. Messias continua seu périplo por gabinetes, enquanto o governo mede, dia a dia, o tamanho real da resistência. O cenário segue instável e sem sinais de acomodação no curto prazo.





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