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O governo dos Estados Unidos, sob comando de Donald Trump, retomou a ofensiva tarifária iniciada em abril com novas medidas unilaterais sobre importações. Diferentemente do pânico nos mercados causado pela primeira rodada de tarifas, a nova fase vem ocorrendo com maior estabilidade financeira, mas não sem gerar incertezas, segundo reportagem da BBC News Brasil.
Trump afirma que sua estratégia trará investimentos bilionários, recuperação industrial e maior geração de empregos. No entanto, analistas apontam que os efeitos reais, especialmente no longo prazo, seguem em aberto.
A política tarifária agressiva está remodelando o comércio global, ao mesmo tempo em que fortalece a percepção de que os EUA deixaram de ser um parceiro comercial previsível.
Riscos de tarifaço de Trump persistem
Até o momento, os acordos firmados entre o governo Trump e os parceiros comerciais são parciais, superficiais e, em muitos casos, verbais. De 90 acordos prometidos, pouco mais de uma dúzia foi anunciada formalmente.
A maior parte das tarifas varia entre 10% e 15%, com alvos diferenciados: enquanto o Reino Unido enfrenta tarifas mais brandas, parceiros com déficit comercial elevado com os EUA — como União Europeia e Japão — foram penalizados com taxas maiores.
Embora as tarifas anunciadas por Trump tenham gerado receita adicional ao Tesouro norte-americano — mais de US$ 100 bilhões neste ano —, elas também elevaram o custo de importações, pressionando empresas e consumidores.
O impacto ainda não foi totalmente repassado aos preços finais, mas gigantes como Unilever e Adidas já indicam ajustes iminentes.
Reações globais e realinhamento comercial
Países como Alemanha e Índia sentem os efeitos de forma distinta. No caso alemão, o setor automotivo sofre com tarifas que podem reduzir o PIB (Produto Interno Bruto) nacional em mais de 0,5 ponto percentual. Já a Índia, apesar das tarifas mais altas, tem baixa exposição comercial direta com os EUA, o que minimiza o impacto imediato.
A movimentação tarifária impulsionou ainda a busca por novos acordos bilaterais. O Reino Unido, por exemplo, tenta estreitar laços com a União Europeia e a Índia. Entre os países asiáticos, há uma corrida para ocupar espaços deixados pela China, alvo implícito da nova estratégia comercial de Washington.
Riscos políticos internos e dilemas futuros
No plano doméstico, a escalada tarifária pode se tornar um risco político para Trump. O aumento no custo de vida pode impactar diretamente sua base eleitoral, especialmente se o corte de juros desejado for adiado. A proposta de cheques compensatórios a famílias de baixa renda chegou a ser cogitada, mas esbarra na resistência do Congresso.
A longo prazo, a dúvida persiste: as tarifas fortalecerão a economia americana ou desencadearão um realinhamento global que enfraqueça sua posição? A resposta, segundo especialistas, não virá em semanas — mas ao longo de anos.
Até lá, o custo pode recair sobre os próprios consumidores que Trump prometeu proteger.
Fonte: ICL Notícias




