Numa audiência que ocorreu nesta quarta-feira no Senado dos EUA, um dos congressistas americanos questionou os argumentos usados pelo presidente Donald Trump para não passar pelo Poder Legislativo para realizar a operação militar na Venezuela, no dia 3 de janeiro.
A sugestão é de que, se a derrubada de Nicolás Maduro na Venezuela poderia ocorrer sem um voto do Congresso, como garantir que, em outros casos, tal comportamento não iria se repetir.
Rand Paul, senador republicano pelo estado de Kentucky, criticou a atitude de Trump de ignorar o Senado americano. “Vamos votar sobre essas coisas”, defendeu, alertando que haveria uma “violação da Constituição ao bombardear uma capital, bloqueando um país e removendo dirigentes eleitos”.
“Certamente não toleraríamos que alguém fizesse isso com o nosso país (EUA)”, disse.
Neste momento, Rubio interrompeu o senador justificou que Maduro não era um presidente eleito e, portanto, não era legítimo. “Removemos alguém que não foi eleito e havia sido indiciado”, disse Rubio.
Mas Paul retrucou. “Indiciado pelas nossas leis”, afirmou. “Bolsonaro afirma que (Luiz Lula Inácio) da Silva não é realmente o presidente do Brasil”, disse o senador. “Nosso presidente (Trump) disse que Joe Biden não era o presidente”, insistiu.
O senador admitiu que “provavelmente” Maduro não havia vencido a eleição de 2023 na Venezuela. “Mas, ao mesmo tempo, se esse é nosso predicado, e você vem nos dizer que é uma operação contra drogas, isso tudo pode levar ao caos e é por isso que temos leis para que o presidente não possa fazer o que quiser”, completou.
Rubio, ao explicar ainda o motivo pelo qual havia mantido a cúpula chavista no poder, insistiu que a estabilidade era central para que a operação não abrisse “um caos” na região. Havia o temor, segundo ele, de que um milhão de venezuelanos cruzassem a fronteira.
“O Brasil estava preocupado também (com sua fronteira)”, completou Rubio, destacando que a Colômbia chegou a colocar o exército na fronteira.




