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Em meio ao agravamento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, uma comitiva de senadores brasileiros esteve em Washington nesta semana com a missão de desarmar a bomba-relógio das tarifas de 50% anunciadas pelo governo Trump contra produtos brasileiros. Composta por parlamentares de diferentes partidos, a delegação se encontrou com congressistas norte-americanos, representantes da iniciativa privada e escritórios de lobby em uma tentativa de “azeitar” os canais de diálogo entre os dois países.
“Abrimos um canal de conversa importante. Não viemos negociar tarifas, pois não é nosso papel, mas mostrar que essa atitude é perde-perde para Brasil e EUA”, disse o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), coordenador da missão, durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta (30). Segundo ele, o grupo foi recebido por nove parlamentares americanos — oito democratas e apenas um republicano —, mas já conseguiu fazer chegar o recado à Casa Branca.
Comissão pressionou por adiamento da tarifa
Os parlamentares brasileiros também pediram formalmente o adiamento da entrada em vigor das tarifas, previstas para 1º de agosto. Empresas como Caterpillar, JBS e Embraer teriam reforçado os apelos, destacando o risco de inviabilidade econômica para negócios bilaterais.
“Transformadores que exigem caminhões com 32 eixos para transporte vão ser taxados em 50%. O vendedor perde o negócio e o comprador, a viabilidade”, exemplificou Espiridião Amin (PP-SC). Ele lembrou que outros países tiveram prazos maiores para adaptação, ao contrário do Brasil, que recebeu apenas 20 dias.
Os democratas já assinaram uma carta conjunta apoiando o adiamento, segundo Teresa Cristina (PP-MS). “Precisamos de tempo para negociar. Os próprios americanos sabem que taxar produtos como café e grãos pode ser um tiro no pé.”
Senadores afirmam que Lula é peça-chave na negociação
Vários senadores, durante a coletiva de imprensa, mencionaram o papel do presidente Lula como elemento decisivo nas negociações. “Conversei com o presidente e ele disse que quer ser respeitado. Isso não se resolve por telefone. Mas, do lado brasileiro, há disposição para debater em um encontro bilateral”, afirmou Jacques Wagner (PT-BA).
O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), apesar de ser apoiador de Bolsonaro, defendeu que a situação jurídica do ex-presidente não pode ser negociada com taxação aos produtos brasileiros.
“Todo mundo sabe que eu defendo o presidente Bolsonaro, defendo a liberdade no Brasil, mas esse é um ponto que não vai ser modificado através de taxação, através de tarifa”. E completou: “A presença de Lula nos EUA pode ajudar muito”. Ele pondera que as negociações setoriais devem se intensificar após o “Dia D” das tarifas.
Alerta sobre fertilizantes e nova lei contra Rússia
Entre os temas mais delicados debatidos nos encontros, destacou-se a preocupação com a dependência brasileira de fertilizantes russos. Segundo o senador Jacques Wagner, “não existe alternativa no mercado global” para o volume necessário ao agronegócio brasileiro. “Se impuserem sanções cruzadas por causa do nosso comércio com a Rússia, todos saem perdendo. O fertilizante é insubstituível e não tem como o Brasil simplesmente parar de comprar”, afirmou.
Carlos Viana (Podemos-MG) reforçou o alerta: “Estamos antecipando ao Brasil o que pode virar outra crise nos próximos 90 dias.
A senadora Teresa Cristina confirmou que a questão será incluída no relatório oficial da missão: “Esse tema foi levantado tanto por parlamentares como pela iniciativa privada. Mostra o quão sensível é para eles. Já há movimento para transformar isso em projeto de lei nos EUA.”
“Essa história só está começando”
Os senadores brasileiros retornam ao país com a sensação de que a missão cumpriu seu papel inicial de abrir portas, mas reconhecem que o embate comercial está longe do fim. “O jogo só começa depois de amanhã. Se a gente não tivesse vindo, muita gente nem teria se dado conta do tamanho do problema”, concluiu Trad.
O relatório oficial da missão será divulgado nos próximos dias e deve servir de base para futuras tratativas entre os dois países — em um cenário cada vez mais marcado por riscos econômicos e geopolíticos.
Fonte: ICL Notícias




