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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Ser branco no Brasil: entre o desejo da França, o medo do Haiti e o triste fim


Aos brancos, como eu.

Analisando certa feita vários livros didáticos de História para emitir um parecer, constatei que a Revolução Haitiana dos negros escravizados continuava sendo ensinada (quando era) de forma periférica nas nossas escolas.

A rigor, uma pergunta central deve ser feita: por que é que os entusiastas da Revolução Francesa e da ideia dos direitos universais do homem se apavoraram com a Revolução do Haiti? Como justificar a ideia de que o Homem Universal dos iluministas franceses não incluiria os escravizados/colonizados haitianos que se insurgiram contra a tirania?

A resposta dos europeus foi jogar a discussão para o campo da dicotomia entre civilização e barbárie, operando o conceito de raça para estabelecer os que tinham condições de ter seus direitos reconhecidos (civilizados/brancos) e os que não deveriam ter esses direitos (selvagens/não brancos).

Toda a construção do “ser branco” em um estado colonial passa a se fundamentar na naturalização de uma superioridade que seria inata à condição biológica (brancos) e cultural (ocidente/cristianismo/ciência).

A patologia colonial da branquitude é o complexo de superioridade. A patologia do branco colonizador é a de que somos, ao mesmo tempo, colonizados. Já não somos europeus, nunca poderemos ser, e não queremos ser americanos do sul. Vivemos na rasura.

Nos sentimos superiores (a negros, indígenas) e inferiores (aos imaginados “europeus legítimos”) ao mesmo tempo. Descontamos o fato de não termos a Mona Lisa desprezando a arte marajoara. Não seremos o que gostaríamos de ser e detestamos o que somos.

Como lidar e desconstruir o complexo de superioridade em relação aos negros e indígenas – um pilar do racismo – e o complexo de inferioridade em relação aos povos do Norte? No fim das contas, continuamos nessa via desencantada, babando por Notre Dame e execrando o Vodun do Haiti, como se as duas coisas não pudessem se encontrar nas encruzilhadas americanas.

Eis a doença dos brancos do sul, como eu, miseravelmente cindidos entre aquilo que queríamos ser e nunca seremos e aquilo que nos apavora: o galo cantando no ombro dos rebeldes pretos caribenhos.

Resta o quê? Qual é o último ato dessa pantomima: aplaudir réplicas da Estátua da Liberdade ou emular as visões de mundo eurocentradas como caminhos únicos da liberdade e do pensar sobre o mundo?
Desceremos mais ainda nesse abismo de desencantos e neuroses?

Ficam as indagações.





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