Por Telesur
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, denunciou neste sábado (3), a agressão militar “sem precedentes” dos Estados Unidos contra o país, perpetrada à 1h58 da manhã, que culminou no sequestro ilegal do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Rodríguez afirmou que “só existe um presidente neste país, e seu nome é Nicolás Maduro Moros”.
Acompanhada por altos funcionários do Governo Bolivariano, a Vice-Presidente presidiu uma reunião de emergência do Conselho de Defesa Nacional no Palácio de Miraflores, em resposta à agressão militar contra a Venezuela. Nesse contexto, Rodríguez lembrou que o Poder Executivo venezuelano já havia alertado sobre uma agressão em curso sob “falsas desculpas e pretextos”, enfatizando que “as máscaras caíram”.
A vice-presidente enfatizou que o verdadeiro objetivo desta operação é a “mudança de regime na Venezuela”, o que permitiria aos Estados Unidos “se apoderarem de nossos recursos energéticos, minerais e naturais “. Ela apelou à comunidade internacional para que esteja ciente dessa verdade.

Representantes dos poderes públicos do Estado venezuelano, do alto comando militar e de outras autoridades importantes participaram da reunião do Conselho de Defesa Nacional. Na ocasião, o vice-presidente exigiu a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores, reafirmando o presidente como o “único presidente da Venezuela”.
Rodríguez informou que a Agência de Segurança Cidadã e “todo o poder nacional da Venezuela” foram acionados. Isso visa reafirmar a defesa da independência, da soberania e da integridade territorial, que ele descreveu como “brutalmente atacadas”. Ele acrescentou ainda que “o povo da Venezuela foi às ruas”, após um apelo anterior de Maduro para a ativação das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) e das milícias bolivarianas.
Rodríguez também anunciou a ativação de um decreto assinado pelo presidente Maduro, que foi submetido ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça para revisão constitucional pela Câmara Constitucional. Espera-se que este decreto, que declara estado de “agitação externa”, receba aprovação judicial nas próximas horas para implementação imediata.
Situação na Venezuela
A vice-presidente destacou o apoio internacional, observando que a comunidade “uniu forças e fez ouvir a sua voz” na China, Rússia, América Latina, Caribe, África e Ásia. Ela afirmou que governos de todo o mundo estão chocados com este ataque, que ela atribuiu a “conotações sionistas”, classificando-o como “verdadeiramente vergonhoso”.
Rodríguez citou Simón Bolívar, o Libertador, da Carta da Jamaica: “O véu foi rasgado, vimos a luz, e eles querem nos mergulhar de volta nas trevas. As correntes foram quebradas, fomos livres, e nossos inimigos pretendem nos escravizar novamente ”. Ele enfatizou que a Venezuela “nunca mais será colônia de nenhum império”.
A vice-presidente lembrou as recentes declarações do presidente Maduro, que “há apenas dois dias, em entrevista pública na televisão”, reafirmou a disposição do governo em “manter relações de diálogo para abordar uma agenda construtiva”.
Ele salientou que a agressão dos EUA “viola flagrantemente os Artigos 1 e 2 da Carta das Nações Unidas”, apesar de Maduro ter estendido a mão ao povo americano para estabelecer “canais de comunicação diplomáticos, políticos e institucionais” baseados no bem-estar do povo, na amizade, na cooperação e no respeito pelo direito internacional.
Por fim, a vice-presidente pediu ao povo venezuelano que “mantivesse a calma” e enfrentasse a situação “juntos, em perfeita unidade nacional “. Ela insistiu que a “fusão entre polícia, forças armadas e população” se tornasse “um só corpo” para defender “nossa amada Venezuela” nesta “etapa de defesa de nossa soberania e nossa independência nacional”.




