Somente corresponsabilidade do agronegócio e Estado tornará viável o autocontrole

Artigo por Letícia Silva e Guilherme de Castro Souza*

Publicada no final do ano passado, a Lei do Autocontrole (Lei 14.515/22) busca modernizar a inspeção das atividades agropecuárias no país por meio do estabelecimento de requisitos de gestão da qualidade, incentivos para o compartilhamento voluntário de resultados analíticos efetuados no processamento de alimentos, bebidas e insumos controlados pelo Ministério da Agricultura (Mapa) e uso de inteligência artificial para as ações de fiscalização.

Atualmente existem, pelo menos, 18 setores produtivos regulados pela Secretaria de Defesa Agropecuária do MAPA. O principal instrumento regulatório utilizado é o comando-controle com exercício exclusivo no poder de polícia administrativa com fiscalizações baseadas, quase que exclusivamente, na observação sensorial e subjetiva do agente fiscalizador (visual, olfato, sensação térmica) ou na checagem documental de licenças, autorizações e registros do estabelecimento.

Além da carência de recursos humanos para o desempenho das atividades de fiscalização em um país com as dimensões do Brasil, do grande número de setores controlados e do crescimento do agronegócio, quando efetuadas as fiscalizações, os auditores conseguem verificar somente uma amostragem dos registros da produção e dos resultados de análises laboratoriais efetuadas pelo empreendedor para aferir a qualidade, por exemplo, dos alimentos, bebidas e insumos que estão sendo produzidos.

A lei nº14.515/22 faz uso combinado de vários instrumentos de regulação, tais como: reconhecimento das medidas de autocontrole como integrantes e necessárias para a conformidade da produção;  possibilidade de certificação por terceira parte (mecanismo há muito utilizado pelo INMETRO, por exemplo); incentivo e recompensa pelo compartilhamento periódico e voluntário das informações de qualidade e rastreabilidade dos processos produtivos; análise das informações por inteligência artificial; distribuição das fiscalizações de acordo com o risco produtivo envolvido, entre outros.

A aplicação de todos esses instrumentos possibilitará à Administração Pública o acompanhamento simultâneo e integral daqueles empreendimentos que aderirem ao programa de conformidade e compartilharem as informações da produção, em um mecanismo semelhante às declarações efetuadas à Receita Federal nas quais o declarante é responsável pelas informações disponibilizadas.

A veracidade das informações prestadas pode ser auditada por certificações de terceira parte, e é passível de fiscalização direta, assim como são verificados atualmente os registros dos processos produtivos. Entre os benefícios para os agentes econômicos que aderirem ao programa de conformidade, encontram-se a maior agilidade nas operações de importação e exportação e prioridade na obtenção de autorizações e licenças junto ao MAPA.

Neste modelo, as ações de fiscalização tendem a ser desenvolvidas com maior eficiência, planejamento e possibilidade de atuação rápida ante a identificação de problemas, o que resulta na redução de riscos e no aumento da segurança tanto para produtores quanto para os consumidores.

Assim são essenciais a participação e os esforços públicos e privados nesse processo para que a Lei 14.515 seja efetivamente implementada em curto espaço de tempo, com transparência e corresponsabilidade de todos os setores.

*Letícia Silva é consultora do Oliveira Souza Advogados e Guilherme de Castro Souza é sócio do escritório, especialista em Direito Empresarial e Comércio Exterior, há mais de 10 anos atuando para a Agroindústria.

Sobre Oliveira Souza Advogados – Baseada em Brasília desde 1998, a banca conta com forte atuação no direito público, tendo como principal nicho a agroindústria. Os advogados são especializados em aspectos jurídicos do setor de proteína animal, defensivos agrícolas, medicamentos veterinários, replicadores de sementes, entre outros. Por meio da expertise em questões regulatórias e administrativas, os profissionais oferecem serviços jurídicos preventivos e judiciais que prezem pela segurança jurídica e compliance para empresas nacionais e multinacionais de diversos setores.

Museu do Futebol lança audioguia em formato de programa de rádio

Aumentar a acessibilidade para...

Prefeito David Almeida amplia rede de esporte comunitário e transforma área abandonada em complexo social na zona Norte de Manaus

O prefeito de Manaus, David Almeida, entregou, neste domingo, 29/3, a praça e a quadra poliesportiva do conjunto Mundo Novo, na avenida Max Teixeira,...

Prefeito David Almeida fiscaliza avanço dos serviços do quarto complexo viário de sua gestão e obra estratégica de mobilidade

O prefeito de Manaus, David Almeida, vistoriou, neste domingo, 29/3, obras de mobilidade urbana nas zonas Norte e Leste da capital, acompanhando o início...

Amazonas Repórter

Tudo

Operação da PF mira organização que traficou armas para o Comando Vermelho

A Polícia Federal realiza uma operação contra um esquema de tráfico internacional de armas que abastecia o Comando Vermelho (CV) no Rio de...

Réu pelo 8 de Janeiro, Leo Índio afirma ter fugido para a Argentina – Política – CartaCapital

Cerca de um mês após ter se tornado réu por tentativa de golpe, Leonardo Rodrigues de Jesus, sobrinho de Jair Bolsonaro conhecido como Léo Índio,...