Apesar de quase metade das exportações brasileiras do agronegócio para os Estados Unidos seguir sob a sobretaxa de 40% imposta pelo governo Trump, o setor conseguiu registrar crescimento de 1,7% nas exportações até novembro de 2025, totalizando US$ 155 bilhões, ante US$ 153 bilhões no mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), nesta terça-feira (9).
A soja em grãos manteve a liderança das exportações, com US$ 42 bilhões em vendas, seguida pela carne bovina in natura (US$ 14,9 bilhões), café verde (US$ 13,3 bilhões), açúcar não refinado (US$ 11,2 bilhões) e celulose (US$ 9,4 bilhões).
Parte do desempenho positivo se deve à antecipação de embarques até agosto, antes da aplicação das tarifas norte-americanas, estratégia que compensou a redução das exportações nos meses seguintes.
João Martins, presidente da entidade, comemorou a produção recorde, apesar das dificuldades climáticas e restrições de crédito: “Conseguimos fazer uma coisa que muitos achavam impossível”.
Tarifas impactam 45% do total exportado em 2024
Segundo a entidade, os produtos ainda afetados representam 45% do valor total exportado em 2024, incluindo itens estratégicos como tilápia, sebo bovino e mel — todos com alta dependência do mercado norte-americano.
Dados da CNA mostram que 97,4% da tilápia exportada em 2024 foi destinada aos EUA, assim como 93,6% do sebo bovino e 78,2% do mel. A manutenção dessas tarifas adicionais pode gerar um prejuízo estimado de US$ 2,7 bilhões para o setor no próximo ano.
China é a principal compradora
No cenário internacional, a China se mantém como principal compradora, com aumento de 10% nas aquisições, totalizando US$ 52 bilhões. A União Europeia segue na segunda posição (US$ 22,9 bilhões), enquanto os Estados Unidos aparecem em terceiro lugar, mesmo com queda de 4% nas importações (US$ 10,5 bilhões).
Além do impacto direto das tarifas, o agronegócio brasileiro observa com atenção os acordos comerciais firmados pelos EUA, que podem redirecionar compras e prejudicar as exportações nacionais.
O setor também impulsionou o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2025, com crescimento de 9,6%, ante uma expansão prevista de 2,25% para toda a economia. O resultado refletiu uma safra recorde de mais de 350 milhões de toneladas, contribuindo para a queda da inflação de alimentos, de 8,23% para 2,05%.




