As tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, podem acelerar a implementação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, avalia o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana.
“Nós já ouvimos e vimos manifestações de líderes europeus que dizem que vão acelerar o processo de validação do acordo Mercosul União Europeia”, disse. O presidente da ApexBrasil, entretanto, ponderou que o Brasil não deve focar nas eventuais vantagens que pode ter e sim defender o multilateralismo.
“Vai ser ruim para todos, independentemente de você ganhar mais aqui ou perder ali”, comentou.
Antes do anúncio das tarifas dos EUA, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também comentou que o acordo entre a UE e o Mercosul pode ser uma peça-chave contra o protecionismo que tem se espalhado pelo mundo.
“Quando você olha para o acordo do ponto de vista meramente econômico, não salta à vista uma grande vantagem para o Mercosul”, disse o ministro. Segundo ele, o acordo funcionaria mais como “uma alternativa a um mundo bipolar”, afirmou na segunda-feira 31.
A negociação para o acordo que busca fortalecimento de relação entre os países dos dois blocos se arrasta há mais de 25 anos e tem a França como principal opositora. A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2023, a corrente comercial entre Brasil e o bloco europeu representou 16% do comércio exterior brasileiro.
Por: Carta Capital