O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (17) que o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerado uma espécie de termômetro do PIB (Produto Interno Bruto), recuou 0,9% no terceiro trimestre de 2025 em comparação com o trimestre anterior, após ajuste sazonal.
Trata-se da primeira contração trimestral em dois anos, desde o terceiro trimestre de 2023, quando o índice caiu 0,5%.
Conforme o relatório, o desempenho dos setores no terceiro trimestre ficou da seguinte forma:
- Agropecuária: -4,5%
- Indústria: -1%
- Serviços: -0,3%
O BC destaca que a maior queda, na agropecuária, reflete pressões pontuais no setor.
A desaceleração da economia ocorre em meio à taxa Selic elevada, atualmente em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas. O Banco Central utiliza a taxa básica de juros para conter pressões inflacionárias e alinhar a inflação à meta de 3% ao ano.
Segundo a ata do Copom, há uma moderação gradual da atividade econômica, acompanhada de uma leve redução da inflação corrente e das expectativas de preços. Além disso, o hiato do produto permanece positivo, indicando que a economia ainda opera acima do seu potencial sem gerar pressões inflacionárias imediatas.
IBC-Br: Indicadores mensais de setembro
Em setembro, o IBC-Br registrou queda de 0,2% frente a agosto, pior do que a expectativa do mercado, que projetava recuo de 0,1%.
- Indústria: -0,7%
- Agropecuária: -0,4%
- Serviços: -0,1%
- Impostos: -0,6%
Na comparação anual, porém, o índice acumula avanço 2,6%, enquanto o acumulado em 12 meses chegou a 3,0%.
Perspectivas para o PIB
O IBC-Br serve como uma espécie de termômetro do PIB, mas difere do cálculo oficial do indicador do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia, que considera a demanda agregada. O resultado oficial para o terceiro trimestre será divulgado em 4 de dezembro.
O mercado financeiro projeta crescimento do PIB de 2,16% em 2025, abaixo dos 3,4% registrados no ano passado. O Banco Central, por sua vez, estima uma expansão de 2% para o ano.
Por sua vez, o Ministério da Fazenda projeta que o PIB cresça 2,2% este ano. A pasta reviu para baixo o crescimento da economia brasileira devido à menor projeção de expansão para o terceiro trimestre, quando se projeta crescimento de 0,3% na margem e de 1,9% no interanual.




