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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou para 1º de agosto a aplicação das tarifas recíprocas inicialmente previstas para entrar em vigor nesta quarta-feira (9), oferecendo mais três semanas de negociação com os países afetados.
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, confirmou que o presidente Trump ainda está definindo os detalhes das alíquotas e acordos.
Paralelamente, Trump ameaçou impor uma tarifa adicional de 10% a países que se alinhem à “política antiamericana do Brics”, grupo formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, reforçando a tensão comercial com o bloco após a cúpula realizada no Rio de Janeiro.
Desde 2024, Trump tem alertado sobre possíveis tarifas elevadas caso os Brics abandonem o dólar em suas transações comerciais.
Tarifas de Trump pressionam setores estratégicos do Brasil
Embora o Brasil tenha sido menos impactado em comparação a outros parceiros comerciais pela guerra tarifária deflagrada por Trump — com alíquota de 10% —, a medida pressiona setores estratégicos, especialmente aço e alumínio, cuja tarifa chegou a 50% após decreto assinado pelo republicano em junho.
Um levantamento da Câmara Americana de Comércio (Amcham) mostra que seis dos dez principais produtos brasileiros exportados para os EUA registraram queda nas vendas em maio, refletindo tanto o impacto das tarifas quanto particularidades do mercado americano.
No entanto, o volume total exportado pelo Brasil aos EUA cresceu 11,5% em maio, atingindo US$ 3,6 bilhões, recorde para o período, e indicando maior diversificação da pauta exportadora.
Particularidades do mercado
A Amcham explicou que parte dos produtos sofre também com particularidades de mercado. Dentre eles, os óleos brutos de petróleo tiveram menor demanda por parte das refinarias norte-americanas.
No caso da celulose, houve uma concorrência mais intensa com o Canadá, favorecida pelo USMCA — acordo de livre comércio entre EUA, Canadá e México.
No âmbito diplomático, o Brasil mantém negociações com os EUA para mitigar os efeitos das tarifas. Um grupo bilateral foi criado com representantes dos ministérios da Indústria, Comércio e Relações Exteriores do Brasil e autoridades norte-americanas, buscando estabelecer cotas preferenciais ou isenções tarifárias. Contudo, detalhes das conversas permanecem confidenciais para não prejudicar as negociações.
Apesar das dificuldades, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) reforça que a relação comercial entre Brasil e EUA é sólida e estratégica, com intercâmbio complementar que traz benefícios mútuos. A retomada do diálogo e a negociação contínua serão fundamentais para evitar que as tarifas comprometam ainda mais o comércio bilateral.
Veja os principais produtos exportados para os EUA e suas variações em maio
- Óleos brutos de petróleo: +43,7%
- Semi-acabados de ferro ou aço: +82,4%
- Carne bovina: +121,3%
- Sucos de frutas: +10,0%
- Café não torrado: -32,3%
- Celulose: -22,7%
- Óleos combustíveis de petróleo: -21,7%
- Equipamentos de engenharia: -30,3%
- Aeronaves: -7,9%
- Ferro-gusa: -13,4%
Fonte: ICL Notícias




