Donald Trump, o presidente dos EUA, criticou a Europa em seu discurso nesta quarta-feira em Davos, aprofundando o mal-estar entre americanos e europeus.
Assim que começou, ele alfinetou os participantes indicando que estava diante de “muitos amigos e alguns inimigos”. Por longos minutos, mentiu sobre seus supostos êxitos no primeiro ano de governo e disse que se trata do “maior crescimento que um país já teve”. “As pessoas estão muito felizes comigo”, insistiu.
Em sua fala, ele chamou Biden de “esquerda radical” e reconfirmou que considera que a hegemonia americana será defendida. “Somos o motor do mundo. Vocês nos seguem para baixo ou para cima”, disse à planteia de cerca de 5 mil pessoas.
Trump ainda usou o discurso para criticar a Europa, a imigração e gastos públicos. “Existem áreas da Europa que não se pode mais reconhecer. A Europa não está indo na direção boa”, alertou.
O discurso ocorre nesta quarta-feira no Fórum Econômico Mundial, em meio ao pior momento diplomático entre europeus e americanos. O gabinete de Trump chamou a Dinamarca de “irrelevante”, enquanto europeus alertam que precisarão abandonar a cautela diante da agressividade da Casa Branca.
Já Emmanuel Macron, que teve suas mensagens vazadas pelo próprio Trump um dia antes, afirmou que a ofensiva da Casa Branca era uma espécie de “colonialismo”. Scott Bessent, secretário do Tesouro, criticou o que ele chamou de “declarações inflamatórias” por parte do francês.
Segundo informações da agência Bloomberg, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, abandonou um jantar VIP depois que o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, começou a criticar a Europa.
A esperança dos europeus é de que a passagem de Trump por Davos sirva para que ele seja convencido a abandonar a ideia de anexar a Groenlândia. Mas uma reunião que estava sendo organizada com o chanceler alemão, Friedrich Merz, teve de ser cancelada diante do atraso na aterrissagem por parte do americano.
Antes da chegada de Trump, o comissário de comércio da UE, Maros Sefcovic, reuniu-se com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em Davos. “Agora é o momento para o diálogo, não para a escalada”, afirmou a Comissão Europeia. “Queremos resolver isto de forma respeitosa e madura, mas, caso isso não seja possível, temos outras opções em cima da mesa”, disse.




